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É meio-dia e, parece que, sob o calor que domina, as árvores em grupo retêm todas as suas folhas como se retém a respiração em presença de uma coisa muito suave, mas muito séria. As abelhas dão o mel e a cera odorífica aos homens que as trata; mas o que talvez tem mais valor que o mel e a cera é que chamam a atenção dele para a alegria de junho: é que lhe fazem gozar a harmonia dos belos meses; é que todos os incidentes em que elas intervêm estão relacionados com os céus puros, com a festa das flores, com as horas mais felizes do ano. As abelhas são a alma do verão, o relógio dos momentos de abundância, a asa ligeira dos perfumes que se difundem, a inteligência das irradiações que pairam, o murmúrio das claridades que estremecem, o canto da atmosfera que se estira tranquilamente, e o seu voo é o sinal visível, a nota convicta e musical das pequeninas e inumeráveis alegrias, que nascem do calor e vivem da luz. Fazem compreender a voz mais íntima das boas horas da natureza. A quem as tem conhecido, a quem as tem amado, um verão sem abelhas parece tão desgraçado e tão imperfeito como se não tivesse aves nem flores. (MAETERLINCK, Maurice. A vida das abelhas. São Paulo: Martin Claret, 2001, p. 36).
O verbo reter, utilizado no texto (linhas 2 e 3), é sinônimo de: