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Considere os três textos a seguir, de Manuel Bandeira, para responder às próximas oito questões.
Texto 1 - Andorinha.
Andorinha lá fora está dizendo:
- “Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...
Texto 2 - Momento num café.
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um, no entanto, se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Texto 3 - Nova poética.
Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Saí um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.
O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.
De acordo com o poema “Nova poética”, marque verdadeiro (V) ou falso (F) e assinale a alternativa correta:
( ) O poema tem duas partes: na primeira, o poeta diz que lançará uma teoria (a do poeta sórdido); na segunda, continua a explicação por meio de uma comparação (do que seria o poeta sórdido).
( ) A palavra nódoa, no poema, está grafada corretamente porque acentuam-se com o acento adequado os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo crescente, seguidos, ou não, de s.
( ) No texto, aquele, é um pronome demonstrativo, indica o lugar, a posição, a identidade do poeta.
( ) Em “...há a marca suja da vida”, o verbo está conjugado no presente do indicativo. Esse tempo verbal, expressa um fato que ocorre no mesmo momento em que o emissor o observa, ou faz referência a ele.
( ) Manuel Bandeira admite, no poema, a ideia de que a poesia não é só conforto para as dores da vida, ela pode, também, ter um aspecto sujo, levar o ser ao desespero.