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Monte Castelo
Renato Russo
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.
Considere as afirmações sobre Intertextualidade e Figuras de Linguagem que dizem respeito ao texto:
I. Em grande parte do texto, o autor compõe significados recorrendo à intertextualidade, através de um poema clássico muito conhecido na língua portuguesa.
II. Impera no texto a figura de linguagem chamada paradoxo, como em “É um contentamento descontente.”
III. Não ocorre intertextualidade em “Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem”.
IV. Uma figura de linguagem presente em “Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.” é a antítese.
As afirmações corretas estão em: