///
Os índios e a natureza
Muita coisa se diz a respeito de os índios viverem “de acordo com a natureza” ou “naturalmente”. Isso é errôneo e merece nossa atenção. Vivem os índios, como todo ser humano, de acordo com sua cultura. Como vimos, não existe, entre os seres humanos, maneira natural, instintiva ou inata de interagir com o meio ambiente. Toda a ação humana altera o estado natural dos materiais para melhor aproveitá-los e, assim, imprime à natureza as marcas características de uma determinada cultura. O que podemos dizer, isto sim, é que as sociedades indígenas convivem com o ambiente sem depredá-lo irreversivelmente. Vejamos como isso ocorre.
Em relação ao território em que vivem, as sociedades indígenas não têm a noção de propriedade privada da terra. Lembremos que na nossa sociedade a terra é considerada uma mercadoria e, como tal, pertence a quem possa pagar por ela. Pode alguém ser proprietário de um terreno sem nunca tê-lo visto, assim como pode alguém residir e trabalhar na terra sem ter sua propriedade e, assim, sem poder contar com o produto integral de seu trabalho. Os povos indígenas reconhecem a “posse” de um território a partir do uso que fazem dele. Esta posse é coletiva na medida em que todas as famílias podem utilizar os recursos existentes nesse território, como a água dos rios, lagos, cachoeiras, os peixes, os animais, aves e vegetais. Não faz parte da ideia indígena de posse a preocupação em estabelecer limites e fronteiras intransponíveis como fazemos com nossas cercas e muralhas. Porém, consideram desrespeitoso e agressivo entrar no território utilizado por grupos vizinhos sem lhes dar satisfações, assim como esperam explicações daqueles que penetram em seu território com boas intenções.
Das afirmações seguintes:
I. A expressão “como vimos” no primeiro parágrafo, recupera um contato anterior com o leitor, criando assim cumplicidade.
II. “As sociedades indígenas convivem com o ambiente sem depredá-lo irreversivelmente” é uma afirmativa científica do texto a respeito da relação dos índios com a natureza.
III. “Depredar irreversivelmente” significa destruir de modo definitivo, sem retorno, sem possibilidade de voltar ao que era antes.