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Improviso do mal da América [...]
Me sinto branco, fatalizadamente um ser de mundos que nunca vi. Campeio na vida o jacumã que mude a direção destas igaras fatigadas E faça tudo ir indo de rodada mansamente Ao mesmo rolar de rios das inspirações e das pesquisas... Não acho nada, quasi nada, e meus ouvidos vão escutar amorosos Outras vozes de outras falas de outras raças, mais formação, mais forçura. Me sinto branco na curiosidade imperiosa de ser. Lá fora o corpo de São Paulo escorre vida ao guampaço dos arranha-céus, E dança na ambição compacta de dilúvios de penetras. Vão chegando italianos didáticos e nobres; Vai chegando a falação barbuda de Unamuno Emigrada pro quarto de hóspedes acolhedor da Sulamérica; Bateladas de húngaros, búlgaros, russos se despejam na cidade... Trazem vodca no sapicuá de veludo, Detestam caninha, detestam mandioca e pimenta, Não dançam maxixe, nem dançam catira, nem sabem amar suspirado. E de-noite monótonos reunidos na mansarda, bancando conspiração, As mulheres fumam feito chaminés sozinhas, Os homens destilam vícios aldeões na catinga; E como sempre entre eles tem sempre um que manda sempre em todos, Tudo calou de supetão, e no ar amulegado da noite que sua... – Coro? Onde se viu agora coro a quatro vozes, minha gente! São coros, coros ucranianos batidos ou místicos, Home... Sweet home... Que sejam felizes aqui! [...]
Com base no excerto do poema Improviso do mal da América, de Mário de Andrade, julgue (C ou E) o item a seguir.
No verso “E faça tudo ir indo de rodada mansamente” (v.3), o poeta utilizou a redundância como recurso expressivo, como evidencia o caráter expletivo da forma de infinitivo “ir”.