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38 questões encontradas
Segundo o texto da BNCC ensino médio, no que se refere à área de Linguagens e suas Tecnologias: “A Arte contribui para o desenvolvimento da autonomia criativa e expressiva dos estudantes, por meio da conexão entre racionalidade, sensibilidade, intuição e ludicidade. Ela é, também, propulsora da ampliação do conhecimento do sujeito relacionado a si, ao outro e ao mundo. É na aprendizagem, na pesquisa e no fazer artístico que as percepções e compreensões do mundo se ampliam no âmbito da sensibilidade e se interconectam, em uma perspectiva poética em relação à vida, que permite aos sujeitos estar abertos às percepções e experiências, mediante a capacidade de imaginar e ressignificar os cotidianos e rotinas” (2017, p. 474). Portanto, nos anos do Ensino Médio, conforme a BNCC, o ensino da Arte privilegia:
A invenção da fotografia no século IX, revolucionou e surpreendeu pela rapidez com que a nova técnica capturava a imagem com precisão e realismo, efeito que para a pintura e a escultura exigia um longo e árduo trabalho do artista. Santaella (2015) comenta: “Embora a fotografia e a arte nunca tenham deixado de manter sua autonomia relativa, também nunca cessaram de manter relações de atração e repulsa, de incorporação e rejeição. Se, durante o século XIX, era a fotografia que aspirava à condição da arte, no século XX foi a arte que se impregnou de certas lógicas formais, conceituais, perceptivas, ideológicas, entre outras, que são próprias do fotográfico”. (2005, p.23).
Discussões à parte, é correto afirmar que:
O avanço das tecnologias digitais possibilitou a aproximação de universos distantes e distintos por meio da tela do computador. Museus do mundo todo vêm criando visitas virtuais, nas quais o visitante pode acessar salas e obras do acervo e do espaço físico dos museus sem sair de casa. Por outro lado, as exposições contemporâneas tornam-se cada vez mais interativas e permitem que o expectador entre nas obras de arte para conhecê-las sob a ótica de um novo formato de experiência sensorial. Dois exemplos estão nas Exposições "O olhar mágico de Escher", uma das mais visitadas no mundo, e "Paisagens Impressionistas de Claude Monet" que, em 2022, poderá ser visitada em algumas capitais brasileiras.
Sobre a relação das novas tecnologias com a Arte, é correta a afirmativa:
Conforme Santaella (2005): “Desde o nascimento do modernismo, os artistas demonstraram uma verdadeira fascinação pelas novas tecnologias. Gradualmente, as tecnologias foram tomando a linha de frente do experimentalismo nas artes até o ponto de muitos curadores terem abandonado as formas tradicionais de arte, pintura e escultura, por não as considerar contemporâneas. A fotografia, as imagens digitalizadas, os vídeos, os filmes e, principalmente, as várias formas de instalação e arte ambiental midiática passaram a ocupar um espaço legitimizado em museus e galerias”. (2005, p.13-14).
A partir do contexto apresentado, acerca das pesquisas experimentais contemporâneas, afirma-se quanto ao uso de novas tecnologias:
Em 15 de abril de 2019, um incêndio de proporções assustadoras atingiu a catedral de Notre Dame de Paris, construída entre 1163 e 1345, na Île de la Cité (Paris-França), e tombada como patrimônio artístico e histórico da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1991. O acidente provocou comoção internacional, pois o dano causado pelo incêndio destruiu parte do patrimônio material, perdas irreparáveis, entre as quais obras que não serão mais recuperadas, mesmo após a reconstrução do conjunto arquitetônico. Além de um dos monumentos mais visitados do mundo, a Catedral de Notre Dame de Paris representa:
As noções de patrimônio artístico e cultural não são unânimes entre os diversos segmentos sociais interessados na área. Para Canclini: “Sempre foram problemáticas as noções de patrimônio nacional ou da humanidade; parecem ainda mais equivocadas neste tempo globalizador que difunde bens e acontecimentos culturais de todos os continentes e que acentua as disputas entre patrimônios e adversários, entre atores públicos e privados e entre locais nacionais e transnacionais. Dizíamos que historicamente os patrimônios – museus nacionais, muralhas, etc.- reafirmam algo próprio, superestimado em face dos bens de outros, reiterando, portanto, sua lógica divisora. Se por acaso tivesse sentido nomeá-los patrimônios da humanidade não seria tanto porque poderíamos todos nos orgulhar de centenas de lugares distantes que nunca conheceremos, mas porque alguns deles, graças ao turismo intercontinental, que possibilita serem filmados ou associados a acontecimentos mundiais como as Olimpíadas, são difundidos como parte de um imaginário globalizado.” (CANCLINI, 2015, p. 81)
O discurso contemporâneo da valorização de saberes e bens culturais e os conflitos entre patrimônio local e bens universalizados, levantados pelo autor no texto acima, perpassam o dilema pós-moderno. No que se refere ao patrimônio material, pode-se aferir, a partir da fala de Canclini:
O Carimbó, manifestação cultural reconhecida nacionalmente como paraense, é uma forma de expressão em que a música e a dança são simultaneamente denominadas de carimbó. “Junção de curi (pau oco) e m’bó (furado, escavado), traduzido por “pau que produz som”, ao longo do tempo, o termo foi adaptado e/ou transformado em curimbó, corimbó e carimbó” (IPHAN, 2014). Muitos municípios paraenses reivindicam, para si, a origem da tradição do carimbó. Sabe-se que, a par das diferenças entre o carimbó de cada região do Pará, seu ritmo e suas variantes possuem como característica a marcação do curimbó e suas letras falam do cotidiano do ribeirinho, do pescador, do agricultor, ou seja, dos saberes e fazeres da região: Se eu soubesse que tu vinha, eu fazia o dia maior,/
dava um nó na fita verde, prá prendê o raio de sol/
Iá, iá eu sou da lira,/
iá, iá da lira eu sou/
iá, ia eu sou da lira/
da lira meu amor
(Lucindo Rebelo da Costa – Mestre Lucindo)
Em setembro de 2014, o Carimbó, após cerca de uma década de inventário, foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão, pelo Iphan, e recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. No conjunto das expressões culturais, desse bem imaterial, incluem-se:
No ano de 1975, a Escola de Samba G.R.E.S. Estácio de Sá (RJ) apresentou uma homenagem ao Círio de Nazaré. O texto do Samba enredo” Festa do Círio de Nazaré”, dos compositores Aderbal Moreira, Dario Marciano e Nilo Esmera Mendes, assim descreve a festa: No mês de outubro/
Em Belém do Pará/
São dias de alegria e muita fé/
Começa com intensa romaria matinal/
O Círio de Nazaré/
Que maravilha a procissão/
E como é linda a Santa em sua berlinda/
E o romeiro a implorar/
Pedindo a Dona em oração/
Para lhe ajudar.../
O trecho descreve o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, manifestação paraense que, em 11 de outubro de 2013, recebeu o Título de Patrimônio Cultural do Brasil. Pela aquisição desse título, o Círio:
A tendência expressionista, nas artes, é anterior ao aparecimento do movimento de vanguarda que aparece na Alemanha (1905), notoriamente, em oposição ao Impressionismo francês. O Expressionismo alemão como movimento estético estende sua influência às artes em geral: música, literatura, fotografia etc. A escola expressionista alemã marca um capítulo especial na história do cinema da década de 1920, e mudou a cena cinematográfica. Ao analisar a influência da estética expressionista, na obra de Tim Burton, Abreu (2007) descreve: “A Cidade do Halloween, assim como Gotham City, contém vastos complexos de formas recortadas, pontudas, lembrando muito os padrões góticos. Os cenários são repletos de objetos materiais que sofreram uma representação mais emocional. A cidade parece um recorte de filmes como O gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu ou paisagens das telas de Münch, Klee, Chagall ou Kandinsky. Os tetos e as chaminés oblíquos e confusos, janelas com arabescos distorcidos, as sombras em desarmonia com os efeitos de luz, são todos elementos constantemente presentes em obras de conteúdo expressionista. Tais características são evidentes nas obras de Burton.
As personagens de O estranho mundo de Jack não fogem desses padrões. Jack Skellington, o protagonista, é feito de ossos e se veste todo de negro, usando uma gravata que imita um morcego. Arranca sua cabeça para citar Shakespeare com naturalidade e facilmente se desfaz de uma costela para entreter o seu estimado cão Zero. A mesmice e a passividade de sua rotina assolam a personagem, deixando-o angustiado e taciturno. Sally, a boneca de trapos, se desmembra com extrema facilidade, ora para escapar de seu criador, o Dr. Finklestein, que levanta habitualmente a parte superior se seu desfigurado crânio para coçar o cérebro, ora para salvar o próprio Papai Noel das garras do hilário Oogie Boogie, um ser totalmente recheado de insetos viscosos. Ao se desmembrar, Sally costura por sua conta as partes de seu corpo. Essa alusão à obra de Mary Shelly é a grata surpresa do filme, sendo que a personagem não existe no livro. O andar desengonçado, o equilíbrio precário, os olhos esbugalhados e a boca toscamente cortada encantam o filme” (ABREU, p.229).
Com seu formato alternativo, o cinema expressionista apresenta como uma característica importante:
O primitivismo, como tendência estética, despontou nas vanguardas do século XX como o interesse pelas culturas de povos autóctones e se tornou um dos pilares do modernismo. Esse motivo ‐ que para os artistas europeus traduziu-se na concepção de que outras culturas, chamadas de “primitivas” conservariam a pureza de suas características originarias, por estarem mais distante do desenvolvimento da civilização ‐ foi incorporada ao modernismo brasileiro, a partir do contato de Oswald de Andrade com artistas primitivistas das vanguardas europeias, conforme descreve Paulo Prado no prefácio do livro Poesia Pau-Brasil: “A poesia "pau-brasil" é o ovo de Colombo - esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovês. Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy - umbigo do mundo -descobriu, deslumbrado, a sua própria terra. A volta à pátria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surpreendente de que o Brasil existia. Esse fato, de que alguns já desconfiavam, abriu seus olhos à visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e misterioso. Estava criada a poesia "pau-brasil” (p.67)
No continente americano, as populações ameríndias seriam esses povos autóctones, portanto, o primitivismo brasileiro protagonizado pelo movimento Antropofágico de Oswald se configurou: