... [ ] “O estudo da tradução exige que se levem em consideração não apenas a competência
linguística do indivíduo que compreende e fala, mas também sua bagagem cognitiva e suas capacidades
lógicas. (...) Compreender um texto ou discurso não consiste apenas em identificar os conteúdos semânticos
permanentes dos signos linguísticos e a eles atribuir a significação que se depreende de sua combinação
sintática em frases, mas também discernir os demais elementos cognitivos não-linguísticos que, em uma dada
situação, estão ligados ao enunciado”.
(Seleskovitch 1980:403, apud Pagura,2003: 219)
Sobre o texto acima, é INCORRETO afirmar que:
A O processo da interpretação envolve a percepção das palavras expressas no discurso. O intérprete pode
espontaneamente expressar o significado a partir da língua de chegada. E o intérprete não pode dar uma
nova feição à mensagem já compreendida.
B A autora defende que a apreensão da língua e compreensão da mensagem deve ocorrer por meio de um
processo de análise e exegese; propõe o abandono imediato e intencional das palavras e retenção da
representação mental da mensagem (conceitos, ideias, etc.); e por fim, sugere a produção de um novo
enunciado na língua-alvo, que deve atender a dois requisitos: deve expressar a mensagem original
completa e deve ser voltado para o destinatário.
C Uma vez apreendida a mensagem por meio de sua forma linguística, ela será analisada e compreendida
para que se chegue ao sentido , por meio de uma fusão do significado linguístico das palavras e frases com
os complementos cognitivos.
D Se ao ler um jornal ou ouvir um discurso numa determinada língua, uma pessoa pensar que basta
unicamente o conhecimento da língua em questão para compreender a mensagem, estará implicitamente
acreditando na hipótese levantada por algumas teorias linguísticas da tradução; no entanto, para a autora
(Danica Seleskovitch), deve-se abandonar o domínio dos sistemas de signos articulados, o domínio da
competência linguística neutra de um “native speaker” [em inglês no original francês], a fim de penetrar no
domínio do ato de comunicação que é, por sua vez, a realização da língua e a expressão de um pensamento
individual.
E A bagagem cognitiva do tradutor permite-lhe reencontrar e transmitir as ideias e as emoções que o texto
designa, mais do que aqueles que ele exprime.