Analisando-se a literatura produzida sobre justiça
restaurativa desde o final da década de 70 do século passado,
verifica-se que há diferentes abordagens, produzidas por
estudiosos dos mais diversos campos do conhecimento (filosofia,
psicologia social, antropologia, ciências jurídicas, pedagogia,
assistência social, entre outros), incluídos acadêmicos,
facilitadores de justiça restaurativa, servidores públicos e
entusiastas da justiça restaurativa que buscam disseminar e
fortalecer a sua implementação em nível institucional.
Dada essa pluralidade de abordagens, surgiram diversas
definições de justiça restaurativa na literatura ao longo das
últimas décadas, razão pela qual alguns autores atuais apontam
que o conceito de justiça restaurativa ainda estaria “em aberto”.
Contudo, parece haver na literatura certo consenso de que tal
pluralidade seria algo positivo, por possibilitar a adaptação do
conceito a diferentes contextos culturais. Alguns autores também
sugerem que a justiça restaurativa seria um conceito
“guarda-chuva”, ou seja, um conceito que abarca uma vasta gama
de formulações, desde que sejam conservados os elementos
essenciais da justiça restaurativa.
Fernanda Carvalho Dias de Oliveira Silva. A experiência e o saber da experiência
da justiça restaurativa no Brasil: práticas, discursos e desafios.
São Paulo: Blucher, 2021, p. 37-38 (com adaptações).