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Havendo Casa da Moeda e dos Quintos na Bahia, e no Rio de Janeiro (por serem estes os dous pólos aonde vai parar todo o ouro), teria Sua Majestade muito maior lucro do que até agora teve, e muito mais se nas Casas da Moeda, bem fornecidas dos aparelhos necessários, houvesse sempre dinheiro pronto para comprar o ouro que os mineiros trazem e folgam de o vender sem detença. Agora sabemos que Sua Majestade manda governador, ministros de Justiça, e levantar um terço de soldados nas minas, para que tudo tome melhor forma e governo. Sendo a terra que dá ouro esterilíssima de tudo o que se há mister para a vida humana, e não menos estéril a maior parte dos caminhos das minas, logo se fizeram estalagens e começaram os mercadores a mandar às minas o melhor que se chega nos navios do Reino e de outras partes. E, a este respeito, de todas as partes do Brasil, se começou a enviar tudo o que dá a terra, com lucro não somente grande, mas excessivo. Não parecerá incrível o que por fama constante se conta haverem ajuntado em diversos tempos assim uns descobridores dos ribeiros nomeados, como uns mais bem afortunados nas datas, e também os que, metendo gados e negros para os venderem por maior preço, e outros gêneros mais procurados, se foram aproveitando do que outros tiraram. Também com vender cousas comestíveis, água ardente e garapas, muitos em breve tempo acumularam quantidade considerável de ouro. E, por isso, até os homens de maior cabedal, não deixaram de se aproveitar por este caminho dessa mina à flor da terra, mandando vir dos portos do mar tudo o que a gula costuma apetecer e buscar.
A narrativa do jesuíta italiano elucida duas características da sociedade luso americana, no século XVIII, que estão apresentadas na