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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Maternidade e autoestima
Regina Navarro
Num estudo com 410 mulheres — 189 mães e 221 sem filhos — a conclusão foi: 35% das mães entrevistadas consideram sua autoestima acima da média, enquanto 21% das mulheres sem filhos pensam o mesmo. E mais: 12% das mães veem sua autoestima abaixo da média, ante as 22% sem filhos com a mesma opinião.
O condicionamento cultural é tão forte desde cedo, que chegamos à idade adulta sem saber o que realmente desejamos e o que aprendemos a desejar. Da mesma forma, a crença e os valores do grupo social em que se vive faz a pessoa se sentir valorizada, com autoestima elevada, se corresponde às expectativas sociais.
A ideia de vocação para a maternidade é bonita de se acreditar, mas tem pouco a ver com a realidade. Em todas as épocas e lugares, nos últimos cinco mil anos, foi comum o homem repudiar a mulher e se casar novamente. Para isso, não faltavam pretextos. Um dos mais convincentes era o não nascimento de um filho. Afinal, ele queria ter herdeiros, ou seja, mais braços para ajudá-lo no trabalho.
A forma como as mães se relacionavam com os filhos, nos séculos 17 e 18, deixa claro que não somente o desejo de ter filhos mas também o amor materno não são inerentes às mulheres. É um sentimento que pode ou não se desenvolver.
Naquele período, a amamentação passou a ser vista como ridícula e repugnante e não era considerado digno de uma mulher amamentar seu próprio filho. Só para se ter uma ideia, das 21 mil crianças nascidas em Paris, em 1780, menos de mil foram amamentadas pelas mães — e numa época em que não havia mamadeiras! Todas as outras foram morar com amas de leite, geralmente longe da família.
Apesar de ser difícil escapar dos modelos impostos, aumenta mais o número de mulheres que não desejam ter filhos. A rejeição aos modelos tradicionais de comportamento permite que se percebam com mais clareza os próprios desejos. Ter ou não ter filhos passa a ser uma opção individual, longe da cobrança de corresponder às expectativas criadas para a mulher. Sem que isso tenha alguma relação com a sua autoestima.
Em Para isso, não faltavam pretextos (linhas 13 e 14), o pronome isso refere-se