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Na noite de 10 de novembro, data em que começa a COP30, membros de delegações internacionais e convidados vão ocupar as tradicionais cadeiras de madeira e palhinha do centenário Theatro da Paz, em Belém, para assistir à estreia mundial de I-Juca Pirama, ópera baseada no poema indianista de Gonçalves Dias publicado em 1851. O libreto é de Paulo Coelho. Gilberto Gil e o maestro italiano Aldo Brizzi assinam a partitura, que será interpretada pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP).
No ______ do palco, fora do campo de _______ da plateia, se esconde a realidade de uma orquestra que se afunda em um emaranhado de problemas, como salários defasados, instrumentos antigos e agenda desorganizada. Não bastasse o drama presente, tampouco há garantias para o futuro: os contratos dos músicos vencem em dezembro e ninguém foi informado sobre a renovação. No ano que vem, a orquestra comemora 30 anos de atividade.
Em outubro, o produtor da orquestra, Régis Falcão, informou aos músicos que enviaria um relatório à Secretaria de Cultura do Pará (Secult) solicitando novo mobiliário para o teatro e manutenção técnica de instrumentos antigos. “O sonho é alto, sabemos disso, mas se conseguirmos ‘pelo menos’ as tão sonhadas cadeiras profissionais, bancos profissionais de contrabaixo e tímpanos e estantes profissionais, já será um grande passo”, escreveu Falcão em mensagem à orquestra, antes de encaminhar seu relatório à Secult. Um músico da OSTP – que, como outros titulares da orquestra, falou à Piauí sob condição de anonimato, por receio de retaliações – define o tom do documento de Falcão: “É um pedido de socorro, quase que implorando por materiais novos”.
A Piauí teve acesso ao documento, que traz fotos de itens avariados da orquestra e estima o custo dos reparos necessários. “Nosso timpanista está pedindo há quatro anos para trocar as peles do tímpano do instrumento. Quando ele pisa no pedal faz um chiado enorme no meio do concerto”, conta o mesmo músico. A troca das quatro peles custaria entre 8 mil e 12 mil reais, segundo os cálculos do relatório. “Quando tentamos procurar a solução para algum problema, a culpa sempre é jogada de um lado para outro. A produção da orquestra joga para o maestro, o maestro diz que é culpa da Secult, e a Secult não fala nada, porque não temos acesso a eles”, diz o músico.
A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz é composta por 62 músicos, além do regente titular e diretor artístico, Miguel Campos Neto, e da maestrina assistente, Laura Gentile. Fecham a equipe o produtor Régis Falcão, uma arquivista, três montadores e um inspetor. Todo esse corpo artístico é gerido desde 2011 pela Academia Paraense de Música (APM), organização contratada pela Secult por meio de licitação. A APM também administra a Amazônia Jazz Band, um grupo de Belém que se apresenta no Theatro da Paz. “Um novo chamamento público definirá a entidade responsável pela gestão dos corpos artísticos do Theatro da Paz no próximo ciclo (a partir de 2026), conforme a legislação vigente”, informa a Secult, em nota.
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