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A tragédia que está se abatendo sobre o Rio Grande do Sul desde maio de 2024 é a manifestação de processos cientificamente bem estudados. Desde o começo dos anos de 1990, o painel intergovernamental de cientistas reunidos pela ONU para avaliar o conhecimento sobre as mudanças climáticas divulga o fato de o ser humano ser responsável por um aumento extraordinário da concentração de gases-estufa na atmosfera.
O aumento da temperatura global, causado pelo aumento da concentração de gases que causam o efeito estufa, resultará em uma intensificação do ciclo hidrológico, com frequência crescente de enchentes e estiagens severas em vários lugares do planeta. Desde 2009, no mínimo, sabemos que a região Sul do Brasil é particularmente propícia ao aumento da frequência de eventos desse tipo: independentemente do aquecimento global, a probabilidade de precipitação extrema é especialmente alta em anos de El Niño. Tanto a enchente deste ano quanto a de 1941, a segunda maior já registrada em Porto Alegre, coincidiram com anos de El Niño.
Além de ser uma consequência do aquecimento global, a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul – e em particular no entorno do delta do Jacuí – foi amplificada por décadas de remoção de floresta nas cabeceiras e estreitamento nos canais dos rios. A floresta atua como capa e esponja, facilitando a evaporação e retendo parte da chuva em episódios de alta precipitação. Quanto mais espaço o rio tiver, menos ele tomará da ocupação humana. O crescimento populacional e a expansão da atividade agrícola das últimas décadas resultaram em crescimento da ocupação urbana e rural. O processo global está sendo agravado por decisões regionais de uso do solo que levam as bacias hidrográficas a reter muito menos água do que reteriam se tivessem mais floresta e menos restrição do leito dos rios. Além disso, se um dique de seis metros recebe manutenção para desempenhar suas funções de dique, ele sustenta uma enchente de 5,35 metros. O mistério, por assim dizer, não é técnico nem natural. É político.
Precisamente por esse motivo, o governador Eduardo Leite veio a público declarar o seu reconhecimento da ciência ao ser entrevistado pelo programa Roda Viva. Na abertura da entrevista, ele disse: “Asseguro que, neste governo, não há o erro do negacionismo, da omissão ou de atacar questões ambientais e as mudanças climáticas porque a gente reconhece a ciência e a gente busca se aliar a ela”. A organização e a comunicação de informação científica terão sucesso na medida em que chegarem à sociedade, incluindo o eleitorado e a base aliada do Executivo, qualificando a busca de soluções.
Em relação à regência verbal e ao acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas nas linhas 10, 27 e 30.