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YouTube, o paraíso da publicidade infantil
Que o YouTube é uma plataforma digital gigantesca, todo mundo sabe. E também que já existem muitas pessoas que tiram seu provento do dinheiro gerado pelas visualizações e propagandas em seus canais na rede. Ainda assim, não pude negar minha surpresa ao descobrir que o maior faturamento entre os youtubers ficou com um garoto de 7 anos de idade, o americano Ryan.
Dono do canal RyanToysReviews, ele e seus pais embolsaram US$ 22 milhões ao longo do último ano. O valor, que é exorbitante em qualquer contexto, vem de seus incontáveis vídeos, nos quais o garoto e seus progenitores aparecem brincando com diversos brinquedos recém lançados e comentando suas qualidades e defeitos. Seu canal, que desde 2015 acumula 17 milhões de inscritos e 26 bilhões (!) de visualizações, posta vídeos quase diariamente. Só na última semana foram sete.
Ignorando fatores como o tempo gasto pelo pequeno para gravar esses vídeos num ritmo de conteúdo diário, é surpreendente pensar que ele arreimentou a quantia milionária ao, basicamente, fazer propagandas para que crianças queiram comprar os mais variados brinquedos. E uma rápida pesquisa no YouTube mostra que seus pais não são os únicos a investir nesse filão.
Não acredita? É só procurar por um termo como “toys” (brinquedos, em inglês) e ver que existem canais como “ToyPudding TV” (12 bilhões de visualizações); “Super Kids Toys” (291 milhões); “Kids Diana Show” (4 bilhões) e CKN Toys (8 bilhões).
Os formatos são dos mais variados: alguns utilizam crianças para brincar com os produtos enviados — vezes com vídeos patrocinados —, outros apenas mostram os brinquedos para adultos. Há até a categoria de “unboxing”, dedicada apenas a mostrar a abertura da caixa do brinquedo.
Em comum a todos está a fetichização de uma mercadoria para uma parcela da população altamente suscetível publicidade. Ainda que o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) seja contrário à propaganda infantil, e haja uma legislação que coíba a prática no Brasil, o grande truque desses canais é que eles fogem classificação tradicional de publicidade para crianças.
Não são comerciais pagos pelas empresas de brinquedos nem têm mensagens explícitas convocando a compra do objeto x ou y. De certa maneira, funcionam quase como os desenhos animados dos anos 90 que buscavam vender video-games, jogos de cartas e outros tantos produtos. Que jovem daquela época não assistiu a Pokemon, Digimon ou algum programa similar?
O precedente histórico não muda o fato de que esses canais glorificam e promovem insistentemente brinquedos para as crianças na plataforma. E isso sem qualquer verniz artístico ou de entretenimento animado como os cartuns ou gibis.
As crianças, que ficam hipnotizadas pelos vídeos — quem já viu uma assistindo a esses canais sabe do que estou falando —, saem quase sempre interessadas ou clamando pelos brinquedos apresentados. O panorama não deve mudar: a legislação de regulação infantil varia muito de país para país, e o YouTube, com seu alcance global, passa ao largo de controle nesse quesito, ao contrário de canais de televisão ou revistas.
É de se imaginar que, no ano que vem, os pais de Ryan e de alguns outros astros mirins da rede tenham ainda mais ganhos para seu pé-de-meia generoso. Não faltará dinheiro para seus brinquedos. Cabe saber se teremos nós os meios necessários para presentear nossas crianças.
Analise as assertivas a seguir acerca do emprego dos sinais de pontuação e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas:
( ) Na linha 04, o emprego da vírgula deve-se à ocorrência de um aposto explicativo.
( ) Na linha 07, as duas primeiras ocorrências de vírgula devem-se à separação de uma oração subordinada adjetiva explicativa.
( ) Na linha 18, o ponto e vírgula deveria ser substituído por vírgula por não estar separando expressões de estrutura análoga.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: