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Leitura e democracia
Há um nexo entre a ignorância como questão cognitiva e a ignorância como questão política? A ignorância filosófica nos faz perguntar. A ignorância usada como bomba atômica contra populações inteiras na política de extermínio do conhecimento e da ação política que dele derivaria, não nos deixa responder. A ignorância é a costura com fio de aço nos olhos que impede de despertar para esse fato.
A construção das sociedades democráticas tem tudo a ver com a escrita e a leitura. A prática mais antiga da democracia tem a ver com a transmissão do conhecimento. Que a democracia não sobrevive sem a transmissão da informação pela qual os livros sempre foram os responsáveis é algo sobre o qual devemos meditar. Ora, sem os livros muita coisa teria sido perdida. Muita coisa teria deixado de ser partilhada. A própria reprodutibilidade dos livros tem a ver com a democracia moderna que, em seu melhor sentido, relaciona-se com a partilha do próprio conhecimento que em tudo deve à vida dos livros.
A falta de pensamento reflexivo nos assusta e é a responsável pelo clima de embrutecimento que vivemos hoje. Essa violência toda que se vê na televisão, essa violência que se vê nas redes sociais, no dia a dia entre as pessoas, é o sinal mais evidente do embrutecimento que herdamos de tempos ditatoriais, em que o autoritarismo foi a regra de pensamento que impedia as pessoas de pensar. Livros e disciplinas críticas ou simplesmente elucidativas eram proibidos. É bom saber que todo embrutecimento é produzido pelos sistemas que usam a burrice a seu favor.
A violência que vem sendo praticada em todas as escalas. Ela não é natural. A falta de pensamento que alguns chamam há tempos de “preguiça de pensar”, infelizmente, tem muito a ver com a brutalidade produzida também pelos meios de comunicação que funcionam como próteses de conhecimento, que nos orientam como se nos dessem as verdades, as explicações dos acontecimentos sociais, como se o mundo estivesse ali e fosse reduzido ao que se mostra neles. A brutalização de nossas vidas se relaciona, por sua vez, com a falta de conversa entre as pessoas. Hoje em dia é bem difícil entrar em diálogo. Ninguém consegue mais conversar de fato. Poucos buscam entendimento e discernimento quando conversam. Precisaríamos criar uma cultura da compreensão, mas isso só será possível se mudarmos os rumos de nossa subjetivação.
Acerca da forma verbal destacada em “A ignorância usada como bomba atômica contra populações inteiras na política de extermínio do conhecimento e da ação política que dele derivaria, não nos deixa responder.” (1º§) é correto afirmar que o tempo empregado indica que