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Não há vagas O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabe no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras – porque o poema, senhores, está fechado: “não há vagas” Só cabe no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço O poema, senhores, não fede nem cheira. (Ferreira Gullar, in ‘Antologia Poética’ e Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/nao-ha-vagas-ferreira-gullar.)
“Thomas Marshall afirma que só há cidadania quando há liberdade social, ou seja, quando os direitos individuais relativos ao bem-estar e econômico vigoram. O elemento civil é composto por direitos necessários à liberdade individual – liberdade da pessoa, liberdade de fala, de pensamento e fé, o direito de propriedade e de concluir contratos válidos, e o direito à justiça. [...] Por direitos políticos eu entendo o direito de participar no exercício do poder político, como um membro de um corpo investido de autoridade política ou como eleitor de membros de tal corpo. [...]”
Analisando o poema, a citação e tendo em vista a noção de cidadania e direito social, é possível inferir corretamente que: