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Bullying revela dificuldades de aceitarmos as diferenças
Em escolas, clubes, quartéis, universidades e empresas sempre houve situações em que alguém é ameaçado, intimidado, perseguido, achincalhado, satirizado, humilhado, por um colega ou por um grupo de colegas. Trata-se, inegavelmente, de uma relação desigual de poder, que às vezes chega à violência física.
Nos últimos 20 anos, e, sobretudo, na última década, esse fenômeno passou a receber mais atenção. Isso se deu principalmente porque o termo bullying (derivado do inglês bully, palavra de conotação negativa que pode ser traduzida como “tirano” ou “valente”) passou a ser usado para designar esses atos de opressão.
É evidente que o bullying já existia antes de a palavra se popularizar com esse significado, mas o fato de o termo ser agora de largo uso faz com que tenhamos mais consciência da existência dessas formas de intimidação e violência.
No ambiente escolar e em todas as situações que envolvem relações entre crianças, adolescentes e jovens, está havendo um interesse cada vez maior em identificar os casos de bullying. É preocupação de pais, professores, pedagogos e psicólogos estabelecer qual o limite entre uma briga e uma perseguição sistemática, entre uma discussão e uma ameaça generalizada, entre uma desavença e uma intimidação repetida.
Há quem acredite que os casos de bullying aumentaram nos últimos anos e há quem defenda que apenas passamos a identificá-los melhor. O que é indiscutível é que o alcance desses atos de ameaça e violência aumentou com as redes sociais, a ponto de alguns falarem também em cyberbullying. Uma intimidação que se dava apenas no ambiente escolar pode ultrapassar os limites do colégio e ganhar uma dimensão mais ampla. E mais preocupante.
Do ponto de vista das ciências sociais, podemos analisar esse fenômeno como uma relação de poder, de força, de dominação, em que há uma evidente desigualdade entre os oponentes: o responsável pelo bullying é o opressor, constitui o grupo dominante (ou faz parte dele), goza de prestígio entre os pares e tem certas prerrogativas especiais; a vítima é o oprimido, o diferente, o marginalizado, o perseguido, enfim, o “outro”.
Questões envolvendo negros, homossexuais, mulheres e diversas minorias demonstram a dificuldade de conviver com a alteridade, de aceitar quem age de modo diferente, de respeitar quem pensa de outro modo. Esses grupos minoritários, assim como os índios no processo de colonização, também foram historicamente vítimas (e muitos ainda são) de ameaças, intimidações, perseguições, sátiras, humilhações, violência física e psicológica. Eles têm que lutar para adquirir direitos que o restante da sociedade já possui há tempos.
As ciências sociais podem ser muito úteis para ajudar a compreender o bullying, pois ele não seria um fenômeno novo ou particular, mas sim uma manifestação das dificuldades, como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade, de “con-viver”.
Segundo o texto, analise as afirmativas.
I. Nos últimos 20 anos, e, sobretudo, na última década, o bullying passou a receber mais atenção.
II. A vítima do bullying é o oprimido, o diferente, o marginalizado, o perseguido.
III. As ciências sociais podem ser muito úteis para ajudar a compreender o bullying.
Estão corretas as afirmativas