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O anel que tu me deste Não guardei nem esqueci Ele nunca se quebrou Fui eu que me perdi O anel que tu me lembras Meu escuro escondeu Ele nunca se partiu Quem partiu de si fui eu Eu ainda não sabia Que existia o puro dom Que era feito de verdade Desapego e solidão Tudo então que nos unia Numa voz e uma canção Nele brilha solitário Diamante escuridão Sob a luz estroboscópica Do agito de um salão Que ainda dança a nossa volta Com as décadas que se vão Retiraste de teu dedo Sem nenhuma hesitação e o puseste com cuidado Na palma da minha mão Era a luz alucinada De um estranho festival Nada ali anunciava O teu gesto e o cristal O amor que tu me tinhas Não tem nome nem lugar Luz que vem da mesma liga Do anel a nos ligar (O anel. José Miguel Wisnik)
Um dos temas do poema é