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Na história da República das Províncias Unidas dos Países Baixos, a independência nacional e a expansão colonial marcharam de mãos dadas no decurso dos oitenta anos de guerra contra a Espanha (1568-1648). A historiografia tende basicamente a encarar de duas maneiras, que não são excludentes, as origens do império marítimo que os batavos começaram a edificar em fins do século XVI e que em boa parte chegou até a Segunda Guerra Mundial e a independência da Indonésia. A primeira maneira, estritamente monocausal, interpreta o surto ultramarino em função do imperativo de aceder às fontes de comércio e de riqueza que os embargos opostos pela Espanha à navegação da Holanda lhes negava; a segunda maneira, como uma das facetas do processo pelo qual a Holanda tornou-se, no umbral do seu Século de Ouro, "a primeira economia moderna" e a principal potência marítima.
Portugal e os Países Baixos tinham uma longa história de relações comerciais quando, em 1580, o Reino uniu-se à monarquia plural dos Habsburgo madrilenos, na esteira da crise dinástica desencadeada pela morte de d. Sebastião no norte da África. Tais relações não poderiam escapar às consequências do conflito hispano-neerlandês, a começar pelos sucessivos embargos sofridos por navios batavos em portos da Península, medidas que afetavam o suprimento de certos produtos indispensáveis à economia das Províncias Unidas, em especial o sal português de que dependia a indústria da pesca, então uma das vigas mestras da prosperidade holandesa, além de produto crucial ao moeder negotie, isto é, às atividades mercantis da República no Báltico. Malgrado a guerra com a Espanha, as relações comerciais de Portugal com as Províncias Unidas contavam com a cumplicidade de autoridades e de homens de negócio lusitanos e com o contrabando capitaneado por testas de ferro estabelecidos em Lisboa, no Porto e em Viana, com o que se atenuaram os efeitos das medidas restritivas decretadas pela corte de Madri.
Obs.: 1. A República das Províncias Unidas dos Países Baixos foi estado europeu antecessor dos atuais Países Baixos. Segundo o organizador da obra de que foi retirado o excerto acima, nela a Holanda, que na realidade era uma das entidades que compunham a antiga República das Províncias Unidas dos Países Baixos, designa toda a confederação, como já se praticava no século XVII.
2. neerlandês: que ou aquele que é natural ou habitante do Reino dos Países Baixos (Holanda).
("Introdução" a O Brasil holandês (1630-1654). Seleção, introdução e notas de Evaldo Cabral de Mello. São Paulo: Penguin Classics, 2010, p. 11 e 12)
Compreende-se corretamente do primeiro parágrafo: