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Todo dia, o sol, caldeira estelar que deve ainda funcionar por bilhões de anos, despeja sobre nossas cabeças energia inimaginável. Ou melhor, o astro rei nos manda de graça num só dia a mesma quantidade de energia que as reservas de petróleo no planeta produzirão nos próximos 30 anos. A questão está em saber aproveitá-la. A planta sabe: capta energia luminosa, mistura com água, acrescenta gás carbônico, mais sais e minerais da terra. Fabrica seu próprio alimento, basicamente açúcares. Ao cabo da reação, libera oxigênio. Em suma, sem fotossíntese, adeus vida sobre a face da Terra.
Os europeus que aqui chegaram em 1.500 estavam longe de conjecturar sobre tais coisas. Passaram séculos até que se desvendasse como a planta transforma energia solar em energia química. Os recém-chegados apenas observaram que a terra era fértil, lugar em que "se plantando tudo dá", como diz Caminha em sua carta ao Rei de Portugal.
Se dependesse da burguesia mercantil que financiou as navegações, o Brasil poderia ter tido outro destino, desmembrado entre portugueses, franceses, espanhóis, holandeses, ingleses. Mas o rei pensava alto: garantir o novo território. Para isso, precisava explorar algo rendoso e fácil de produzir. Ora, Portugal já cultivava em Cabo Verde e Madeira a valiosa cana-de-açúcar, trazida do Sudeste Asiático. Por que não tentar? E assim, um país foi se delineando ao som das moendas dos engenhos, dos carros de bois, dos cantos de trabalho dos africanos. O carro puxava cana para também fabricar o álcool que nem lhe serviria de combustível.
No regime militar, com a crise do petróleo no início de 1970, o governo cria o Proálcool – graças ao qual passamos a figurar entre os maiores especialistas na fabricação do etanol, o álcool combustível. Alguém já disse que podemos nos tornar uma Arábia Saudita – só que nosso petróleo dá em cima da terra e não acaba.
O texto deixa claro que o cultivo da cana-de-açúcar foi