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Aprender sem pressa
Por que crianças com menos de seis anos não devem ser matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental? Essa é a pergunta de muitos pais que consideram seus filhos maduros e prontos para enfrentar o ensino das letras e dos números do modo formal que nossas escolas ensinam, usem elas este ou aquele método de ensino e de alfabetização.
Nossa sociedade foi bombardeada com informações apontando caminhos para um futuro de êxitos e uma carreira bem-sucedida de quem ainda está na infância. Quanto mais cedo a criança começar a aprender, melhores serão suas chances de sucesso, afirmam, de maneira geral, esses estudos. E isso resultou numa corrida das famílias em busca da melhor formação para os filhos. Reforço escolar, alfabetização precoce, cursos das mais variadas disciplinas e atividades etc. passaram a fazer parte de uma agenda carregada das crianças, já a partir de três anos, quando não menos.
As escolas, atentas ao movimento da comunidade, responderam à altura: trouxeram para a educação infantil o modelo de funcionamento do ensino fundamental. Dessa maneira, crianças de três, quatro anos passaram a usar carteiras em sala de aula, a ter professores especialistas e a brincar livremente apenas no horário do recreio. Já na década de 1990, vimos crianças viverem essa correria rumo ao sucesso, com seus pais sempre metidos nessa necessidade louca de forçar o filho a ser um bom – de preferência o melhor – estudante.
Mas parece que todo esse esforço não deu muito certo, pelos resultados que observamos. As universidades passaram a receber jovens cada vez mais infantilizados, que relutam em finalizar seus estudos na graduação, e os pais, a enfrentar, ainda no decorrer do ensino fundamental, a falta de vontade dos filhos de se comprometer minimamente com os estudos.
Foi então que novos estudos passaram a ser difundidos, apontando a necessidade de a criança ter mais liberdade para ser criança e, de fato, viver a infância na hora certa. Foi por esse motivo que surgiu, nos Estados Unidos e na Inglaterra, um movimento que prega menores demandas dos pais aos filhos, para que eles tenham tempo para brincar e para o ócio, questões fundamentais para uma vivência infantil tranquila e produtiva.
A criança de cinco anos, e até mesmo a de quatro, pode se alfabetizar por interesse próprio e aprender muito mais, com o apoio dos professores da educação infantil, que, aliás, têm a mesma formação dos professores dos anos iniciais do fundamental. E ela pode fazer isso brincando, sem ter de fazer lições e participar de aulas expositivas.
O movimento surgido nos Estados Unidos e Inglaterra corrobora a ideia de que os pais e a escola devem