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Como em todas as tardes abafadas de Americana, no interior de São Paulo, o paranaense Adílson dos Anjos circula entre velhas placas de computador, discos rígidos quebrados, estabilizadores de energia enferrujados, monitores com tubos queimados e outras velharias do mundo da informática. Ao ar livre, as pilhas, que alcançam um metro de altura, refletem os raios de sol de forma difusa e provocam um incessante piscar de olhos. Por trás delas, um corredor estreito, formado por antigos decodificadores de televisão a cabo, se esconde sob uma poeira fina que sobe do chão.
Com uma chave de fenda na mão direita, Adílson mantém, de joelhos, uma linha de produção repetitiva. Desparafusa as partes mais volumosas de uma CPU carcomida, crava sua ferramenta em fendas predeterminadas e, com os dedos da outra mão, faz vergar parte do alumínio do aparelho. Com um solavanco, arranca do corpo da máquina uma chapa fina e esverdeada conhecida como placa-mãe. Com zelo, deposita-a perto dos pés. O resto faz voar por cima de sua cabeça: com um ruído estridente, tudo se espatifa metros atrás.
Há cerca de um ano, Adílson vive com os cerca de 600 reais que ganha por mês coletando, separando e revendendo sobras de computadores, que recebem o nome de e-lixo. Todos os meses, ele transforma 20 toneladas de sucata eletrônica em quilos e quilos de alumínio, ferro, cobre, plástico e até mesmo ouro.
Não há dados no Brasil a respeito do número de pessoas que vivem do mercado de sucata eletrônica, nem do volume de dinheiro que ele movimenta. A falta de dados e a consequente ausência de projetos voltados para o bom aproveitamento dos detritos eletrônicos atestam que o e-lixo brasileiro ainda se move pela sombra.
Na Europa e nos Estados Unidos, estudos sobre o assunto atestam que o montante de lixo digital em circulação na Terra cresce 5% ao ano. A sucata eletrônica, sozinha, já abocanha uma fatia maior do que a das fraldas infantis no bolo de resíduos sólidos gerados pelo ser humano.
Infere-se do emprego do termo “consequente” (ℓ.32) que a existência de projetos dedicados ao aproveitamento da sucata eletrônica no Brasil depende de informações quantitativas a respeito desse material.