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A experimentação é característica dos processos de aquisição de conhecimentos. Ao adquirir a escrita, a criança testa hipóteses já construídas acerca desse sistema. Pode-se pensar então que, mesmo antes de entrar para a escola, o aprendiz, graças às práticas de letramento às quais está exposto cotidianamente, já construiu suas hipóteses no que diz respeito à segmentação da escrita. No entanto, ao testá-las, o que se lhe apresenta é a dúvida sobre o lugar em que espaços devem ser inseridos na escrita. Para a resolução desse problema, é necessário que o aprendiz cumpra a complexa tarefa de compreender o que é uma palavra. Começam a surgir, exatamente nesse período, as segmentações não convencionais. Da falta de espaço entre fronteiras vocabulares — hipossegmentação — surgem estruturas do tipo “derepente”, “muitolonge”, “chicobento”; da inserção de um espaço indevido no interior da palavra — hipersegmentação —, estruturas como “em controu”, “amanhe seu”, “chapeu sinhô”.
Os grafemas <r> e <s> que aparecem nas segmentações não convencionais ‘derepente’ (R.15) e ‘chapeu sinhô’ (R.18) estão sendo usados para representar, respectivamente, os fonemas // e /•/.