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Ao contrário do que aconteceu na América Hispânica, onde universidades católicas foram criadas já no século XVI, no início da colonização, no Brasil não existiram universidades nem outras instituições de ensino superior durante todo o período colonial. A política da coroa portuguesa sempre foi a de impedir a formação de quadros intelectuais nas colônias, de forma a concentrar na metrópole a formação de nível superior. Mesmo a iniciativa jesuíta de estabelecer um seminário que pudesse formar um clero brasileiro, o que instituiu boa parte do pouco ensino organizado que então havia na colônia, foi destruída quando ocorreu a expulsão da Companhia de Jesus, efetuada pelo Marquês de Pombal no final do século XVIII. Foi apenas no início do século seguinte — em 1808, quando a Coroa portuguesa, ameaçada pela invasão napoleônica da metrópole, se transladou para o Brasil com toda a corte — que teve início a história do ensino superior no país. No mesmo ano da chegada do rei português, foram fundadas duas escolas de cirurgia e anatomia, uma na Bahia e outra no Rio de Janeiro, e a Academia de Guarda da Marinha, também no Rio. Em 1927, foram criadas duas faculdades de direito, uma em São Paulo e outra em Olinda. Não houve então nenhuma preocupação e nenhum interesse em criar uma universidade. O que se procurava era formar alguns profissionais necessários ao aparelho do Estado e às necessidades da elite local, como advogados, engenheiros e médicos. Também não se cogitou entregar à Igreja Católica a responsabilidade pelo ensino superior, como havia ocorrido nas colônias da Espanha. Com a presença da corte portuguesa, a independência não só foi tardia, mas se deu com a preservação da monarquia e da própria dinastia de Bragança, que governou o país até o final do século. Isso caracterizou um desenvolvimento histórico marcadamente diverso daquele que foi próprio dos demais países do continente, nos quais a independência deu lugar a regimes e ideais republicanos. Na área educacional, o processo seguiu o modelo estabelecido em 1808. Embora se tenha constituído como um sistema estatal sob a influência, mas não sob a gestão, da Igreja Católica (seguindo uma tradição já existente em Portugal desde o século anterior), não se criaram universidades, mas escolas autônomas para a formação de profissionais liberais. A criação dessas escolas era de iniciativa exclusiva da Coroa.
“Mesmo a iniciativa (...) foi destruída” (R.8-11): Até a iniciativa jesuíta de estabelecer um seminário que fosse capaz de formar um clero brasileiro, que instituiu boa parte do pouco ensino organizado que então havia na colônia, foi destruída