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Segundo teorização do filósofo McLuhan, a palavra falada era o meio mais completo de comunicação, porque, embora se destinasse a ser escutada, envolvia também a participação de outros sentidos, como o tátil (gestos) e o visual (expressões faciais). As culturas orais são integrais, porquanto seus membros agem e reagem ao mesmo tempo. Os indivíduos são bem informados, constituem pessoas completas, formadoras de uma irmandade total.
Entretanto, o descobrimento da escrita e, mais tarde, das técnicas de impressão teve profundo impacto sobre a cultura: destribalizou a humanidade, rompeu a associação entre os sentidos e modificou a maneira de o homem perceber o mundo e com este se relacionar, tornando-a solitária, técnica, fria e impessoal.
Com o advento da era eletrônica do audiovisual, concebeu-se uma maneira de socializar o conhecimento, o que permitiu o reforço dos laços de irmandade entre os homens. A tecnologia, de forma gradual, cria um ambiente humano totalmente novo. Os indivíduos são modificados por suas técnicas de comunicação. As primeiras mídias eram extensões do corpo e dos sentidos, dos olhos e dos ouvidos humanos. As telecomunicações constituem não só extensões do sistema nervoso central, mas também técnicas que sobre ele rebatem, determinando uma modelagem da sociedade.
Extrai-se do texto a concepção de três épocas distintas na história da comunicação: a época da oralidade primária, anterior ao surgimento da prensa, a época gutenberguiana do impresso, em que se descobriu um novo modo de conservar a memória, aumentando-se seu volume e sua liberdade de emprego, e a época eletrônica do audiovisual, em que foi concebida nova forma de socialização do conhecimento.