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O diálogo é esse encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu. Essa é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem, entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados desse direito. É preciso primeiro que os que se encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse direito, proibindo que esse assalto desumanizante continue. Se é dizendo a palavra com que pronunciam o mundo que os homens o transformam, o diálogo impõe-se como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens. Por isso, o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um sujeito no outro, nem tampouco se torna simples troca de ideias a serem consumidas pelos permutantes.
Sem prejuízo sintático ou semântico ao texto, o trecho “Se é dizendo a palavra (...) homens” (R.9-12) pode ser reescrito da seguinte forma: Ao transformarem o mundo caso digam a palavra pela qual o pronuncia, os homens impõem o diálogo, como caminho através do qual ganham significado na condição de seres humanos.