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O interesse fundamental do dono de escravos era obter destes o maior rendimento possível, visando ao maior lucro. Como maximizar a produção de um escravo? Imagine-se um caso simples: a produção consistiria em cavar buracos, e cada escravo poderia cavar, digamos, cinco buracos por hora. Para obter o máximo de produção, bastaria garantir que cada operário trabalhasse o maior número possível de horas. No caso da mão de obra escrava, esse objetivo poderia ser facilmente atingido por um feitor que organizasse e controlasse a produção. Pela coação do chicote, ele faria que os escravos trabalhassem o número de horas desejado, com a intensidade desejada. De fato, era comum que os escravos tivessem jornadas de trabalho próximas do máximo biológico — algo como dezoito horas —, nos engenhos e cafezais brasileiros, especialmente em picos de produção, como na colheita. Isso aponta para uma lógica do tratamento coercitivo. Pode ser difícil obter de um assalariado rendimento equivalente ao de um trabalhador escravo — a não ser mediante um salário tão alto que prejudicasse o lucro do patrão. Assim, em igualdade de condições, o trabalho escravo é mais produtivo que o trabalho livre, em determinados tipos de tarefa. A coerção garante esse resultado e tem, portanto, um significado econômico.
O autor do texto argumenta que, sob certas condições, o trabalho livre poderia ser tão ou mais produtivo que o trabalho escravo.