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A organização da sociedade em movimentos sociais é inerente à sua estrutura de poder. O teatro teve, na Grécia antiga, o papel político de dotar a população de razão crítica por intermédio de uma expressão estética. Mas os movimentos sociais adquirem ao longo da história distintas expressões: estética, religiosa, econômica, ecológica etc. A partir do século um, o Império Romano teve suas bases solapadas por um movimento social de caráter religioso — o Cristianismo —, que se recusou a reconhecer a divindade de César e propalou a radical dignidade de todo ser humano. Desde a Revolução Francesa, a sociedade civil passou a se mobilizar mais frequentemente em movimentos sociais. Porém, é recente a noção de que a sociedade civil deve se organizar para pressionar o poder público, e não necessariamente almejar também a tomada de poder. Isso ensejou o caráter multifacetado dos movimentos de indígenas, negros, mulheres, migrantes, homossexuais etc. e o fato de constituírem instâncias políticas nem sempre partidárias. É o fenômeno recente do empoderamento da sociedade civil, que, quanto mais forte, mais logra transmutar a democracia meramente representativa em democracia efetivamente participativa.
É coerente com a argumentação do texto interpretar “mais forte” (l.20) como uma qualidade de “sociedade civil” (l.19); mas é igualmente correto interpretar essa expressão como referente a “fenômeno” (l.18) ou “empoderamento” (l.19).