///
No começo de agosto, o professor americano Lawrence Lessig lançou uma campanha para arrecadar US$ 1 milhão em doações. Se conseguisse o dinheiro, ele teria condições de concorrer ____ presidência dos EUA. “Eu quero ser um presidente diferente”, disse. “Não no sentido marqueteiro, mas realmente diferente.” Diferente a ponto de fazer algo que qualquer político consideraria uma loucura: se Lessig ganhar, ele promete renunciar ao cargo. Quer aprovar uma única lei e depois ir embora para casa – deixando o país nas mãos do vice. Ele conseguiu o dinheiro e já começou a campanha. Pretende concorrer ____ sucessão de Barack Obama. E, se eleito, virar o sistema político de cabeça para baixo; com um único gesto.
“82% dos americanos acreditam que o sistema político do nosso país está viciado”, diz. Segundo ele, a raiz do problema está no financiamento das campanhas. Elas são pagas por doações de bilionários e de grandes empresas (da mesma forma que acontece no Brasil). “É como se houvesse duas eleições”, explica Lessig, que é professor de direito na Universidade de Harvard. Uma eleição com votos – e outra com dinheiro. “Para conseguir concorrer ____ eleições diretas, é preciso ter se saído muito bem na corrida pelo dinheiro”, afirma. E os políticos passam a representar os interesses de uma minoria – os financiadores de campanha. “Eles passam metade do tempo buscando financiamento para permanecer no Congresso ou manter seu partido no poder”, diz.
Nos EUA, cada pessoa só pode doar US$ 2.600 para cada candidato. Mas existe uma maneira de burlar isso. Doar dinheiro para os PACs: comitês de ação política, em inglês. São grupos independentes e, em tese, apartidários, que se organizam para levantar dinheiro em nome de uma causa – como a regulação de remédios na indústria farmacêutica ou a legalização do aborto, por exemplo.
Até 2010, eles só podiam arrecadar dinheiro de pessoas físicas. Mas, naquele ano, a Suprema Corte Americana abriu a porteira: decidiu que empresas também poderiam doar. Nasceram os Super PACs, organizações que recebem dinheiro e repassam para campanhas políticas. Nas eleições de 2012, foram mais de US$ 600 milhões. E 70% de tudo isso veio de apenas 100 doadores. Ou seja: os Super PACs acabam servindo para que multibilionários e grandes empresas deem caminhões de dinheiro para os políticos (e cobrem favores depois).
Assinalar a alternativa que preenche as lacunas do texto CORRETAMENTE: