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A palavra “crise” tem nos acompanhado como atmosfera e segunda pele: respira-se a crise, a crise dói em todos nós. Não é difícil reunir fragmentos e indicadores de crise e, com a soma, configurar a imagem de um grande vórtice de regressão civilizatória e infelicidade coletiva. Lama tóxica, infestação de mosquitos, hábitos impalatáveis e grave deflação cognitiva na política, cinismo hiperbólico. Diante de tal composição, o espírito humano insiste em indagar: o que está acontecer, como isso é possível? Ou, de modo mais direto: qual a causa de tudo isso?
Uma das coisas mais difíceis para cientistas, de todas as vertentes, é isolar a causa de algo. A complexidade, como cláusula básica, está em todas as coisas: não há fenômeno que não seja afetado por uma multiplicidade de causas e condições; não há causa que não tenha sido causada por algo que, por sua vez, não dispensa sua própria causa. Tanto pela complexidade causal quanto pela vertigem da regressão ao infinito, é nos difícil – senão impossível – detectar a causa de algum fenômeno ou evento. Todas as coisas do mundo são “multicausadas”, sem descartar, no confuso amálgama, o peso considerável do acaso.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos atos de imaginar condições necessárias para a superação de cenários de crise, tal como o que o Brasil hoje atravessa. Da mesma forma, é possível sugerir uma série de condições necessárias para tal, em um debate sempre aberto controvérsia, por mais que seus participantes compareçam movidos por um espírito de certeza absoluta. Em debates de tal natureza, com muita frequência, “soluções” propostas acabam por fazer parte do problema. A soma das “soluções” setoriais não é suficiente para configurar uma saída, por mais brilhantes que sejam suas parcelas. Há que produzir o amálgama, e quanto a isso não há milagre possível: são as artes da política que devem materializá-lo.
Mas, para além da descrença generalizada na capacidade de autorregeneração da política, cabe dar descanso ao desespero deseducado e introduzir a seguinte questão: quais são as condições de impossibilidade de saída dos impasses que nos assolam? Em outros termos, que marcadores mais fundos da nossa experiência social aparecem como impeditivos ou, ao menos, restritivos para cenários mais otimistas?
Conforme o texto, analisar os itens abaixo: I - Todas as coisas têm complexidade.
II - As coisas do mundo são resultado de muitas causas.
III - Todos os fenômenos são afetados por causas e condições.
IV - Soluções propostas podem tornar-se parte do problema.
Está(ão) CORRETO(S):