///
No livro Pedagogia da Autonomia (1996), encontra-se o seguinte trecho: “Certa vez, numa escola da rede municipal de São Paulo que realizava uma reunião de quatro dias com professores e professoras de dez escolas da área para planejar em comum suas atividades pedagógicas, visitei uma sala em que se expunham fotografias das redondezas da escola. Fotografias de ruas enlameadas, de ruas bem postas também. Fotografias de recantos feios que sugeriam tristeza e dificuldades. Fotografias de corpos andando com dificuldade, lentamente, alquebrados, de caras desfeitas, de olhar vago. Um pouco atrás de mim dois professores faziam comentários em torno do que lhes tocava mais de perto. De repente, um deles afirmou: ‘Há dez anos ensino nesta escola. Jamais conheci nada de sua redondeza além das ruas que lhe dão acesso. Agora, ao ver esta exposição de fotografias que nos revelam um pouco de seu contexto, me convenço de quão precária deve ter sido a minha tarefa formadora durante todos estes anos. Como ensinar, como formar sem estar aberto ao contorno geográfico, social, dos educandos?”
Analisando a pergunta geradora acima destacada, particularmente no que se refere à construção do projeto político pedagógico e o seu papel como instrumento de democratização do conhecimento na escola pública popular, considere as seguintes afirmativas:
1. O projeto político-pedagógico está a serviço da educação democrática quando se assume um instrumento de construção conjunta, inclusive com abrangência curricular, uma vez que está a serviço de uma rede de saberes individuais e coletivos, científicos e populares.
2. Por meio do projeto político pedagógico, a escola passa a conhecer mais e melhor a comunidade na qual está inserida e esta, por sua vez, através da participação na vida escolar, se percebe parte de um ensino orientado às aprendizagens sociais e à qualidade dos processos pedagógicos no interior das escolas.
3. Se pensado como expressão da política cultural das escolas, o projeto político-pedagógico estaria potencializando temas de conhecimento, fulcrais ao ensino contextualizado, e, com isso, contribuindo para a democratização do próprio currículo, levando em consideração as condições socioeconômicas, as formas de participação na escola e a diversidade cultural dos sujeitos.
4. O modo como se dá a relação entre a escola e a comunidade diz muito sobre o projeto político-pedagógico poder se caracterizar como uma ferramenta de gestão democrática das escolas, entre outros aspectos porque é no diálogo que se aprende a escutar, sentir, pensar sobre, ser afetado e afetar a comunidade, de onde boas propostas de trabalho podem ser planejadas, avaliadas e postas em prática.
São afirmativas coerentes com a perspectiva freiriana: