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A lágrima de um Caeté
Indígenas do Brasil, o que sois vós?
Selvagens? os seus bens já não gozais…
Civilizados? não… vossos tiranos
Cuidosos vos conservam bem distantes
Dessas armas com que ferido tem-vos
De sua ilustração, pobres Caboclos!
Nenhum grau possuís!... Perdeste tudo,
Exceto de covarde o nome infame…
Dos Caetés os manes vingados estão!
Desse Camarão, também renegado, Que bravo guerreiro a Fama apregoa, O título de nobre lá jaz desprezado!
AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. A lágrima de um caeté. 4. ed. Natal: Fundação José Augusto, 1997. p.39.
Iracema – Capítulo 33
Muitos guerreiros de sua raça
acompanharam o chefe branco, para fundar
com ele a mairi dos cristãos. Veio também
um sacerdote de sua religião, de negras
vestes, para plantar a cruz na terra
selvagem.
Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais
o separasse de seu irmão branco. Deviam
ter ambos um só deus, como tinham um só
coração. Ele recebeu com o batismo o nome
do santo, cujo era o dia; e o do rei, a quem
ia servir, e sobre os dous o seu, na língua dos novos irmãos. Sua fama cresceu e ainda hoje é o orgulho da terra, onde ele primeiro viu a luz.
ALENCAR, José de. Iracema. 24. ed. São Paulo: Ática, 1991. p.81.
O sentimento nacionalista que se iniciou com o Romantismo fez surgir, através do indianismo literário, uma memória nacional, uma espécie de elo para a formação da identidade. Nesse sentido, o poema A lágrima de um Caeté