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Machado de Assis e a administração pública brasileira
Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.
Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.
Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.
Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.
Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...
E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.
Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.
Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.
(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
Sobre a relação feita no texto IV entre Machado de Assis e a administração pública brasileira, é correto afirmar que, em sua essência, o conteúdo do texto de Luzia Magalhães Cardoso enfatiza que o citado escritor, em suas obras,