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No artigo “A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura”, Bourdieu (1998) desvenda o funcionamento do capital cultural, que influencia as trajetórias escolares dos agentes e rompe com o mito do dom ou das qualidades inatas. No artigo “Os excluídos do interior”, Bourdieu e Champagne (1998) abordam as novas formas sutis de desigualdades, analisando a exclusão intraescolar dos estudantes socialmente desfavorecidos.
Analise as afirmativas a seguir que abordam as desigualdades escolares discutidas por Bourdieu (1998) e Bourdieu e Champagne (1998) nos dois textos anteriormente mencionados:
I. Segundo Bourdieu (1998), para favorecer os mais favorecidos e desfavorecer os desfavorecidos, é suficiente que a escola ignore, no âmbito dos conteúdos de ensino que transmite, dos métodos e técnicas de transmissão e dos critérios de avaliação, as desigualdades culturais entre as crianças das diferentes classes sociais.
II. Os alunos não competem em condições de relativa igualdade na escola, para Bourdieu (1998). São atores socialmente constituídos que trazem, em larga medida incorporada, uma bagagem social e cultural diferenciada e mais ou menos rentável na escola. A distribuição desigual do capital cultural entre as diferentes classes sociais torna ilusório o discurso do igualitarismo formal.
III. Os educandos provenientes de famílias desprovidas de capital cultural apresentam uma relação com as obras de cultura veiculadas pela escola que tende a ser interessada, laboriosa, tensa, forçada etc, enquanto para os indivíduos originários de meios culturalmente privilegiados, essa relação está marcada pelo diletantismo, desenvoltura e facilidade natural, conforme Bourdieu (1998).
IV. Para Bourdieu e Champagne (1998), com a entrada no jogo escolar de categorias sociais até então excluídas da escola, a estrutura da distribuição diferencial dos benefícios escolares e sociais correlativos foi mantida. O processo de eliminação foi diferido e estendido no tempo. Dessa forma, o acesso das camadas sociais desfavorecidas aos diferentes níveis de ensino é igual à modificação do valor econômico e simbólico dos diplomas.
V. A escola é habitada, permanentemente, por excluídos potenciais, conforme Bourdieu e Champagne (1998). As práticas de exclusão na escola são agora mais brandas, insensíveis, graduais e imperceptíveis, tanto por aqueles que a exercem como por aqueles que são vítimas. Aqueles que fracassam são vítimas de uma exclusão mais estigmatizante e total, pois já tiveram sua chance.
Tendo como referência os dois textos citados, está CORRETO o que se afirma em: