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Coleta deficiente e baixa reciclagem ainda são desafios para gestão do lixo no Brasil
O crescimento acelerado da população mundial, que pode atingir 10 bilhões de habitantes até 2075, intensifica o desafio da gestão de resíduos sólidos e pressiona os recursos naturais, o que pode comprometer o futuro das próximas gerações. No Brasil, o problema é ainda mais crítico: o país produz cerca de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, mas apenas 7,5% são reciclados, muito abaixo dos índices de países europeus e asiáticos.
Segundo Laerte Scanavacca Júnior, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, 15,4% do lixo produzido no Brasil sequer é coletado, agravando problemas ambientais e de saúde pública. Dos resíduos recolhidos, apenas 45% têm destinação correta em aterros sanitários. Além disso, o Brasil ainda possui cerca de 3 mil lixões ativos, que retém 32% do lixo, apesar das metas repetidamente adiadas para sua substituição. A previsão atual é que todos sejam desativados até 2029. O descarte inadequado gera custos elevados: estima-se que o Brasil perca R$ 120 bilhões anuais devido à reciclagem ineficiente ou inexistente. Especialistas apontam que a infraestrutura precária e a bitributação sobre materiais recicláveis são barreiras para avançar na economia circular, modelo que promove o reaproveitamento de recursos e reduz o impacto ambiental. O Brasil investe cerca de 37 milhões por ano no descarte correto dos resíduos sólidos urbanos (RSU), o que dá uma média de R$ 13,66 por habitante por mês, ou seja, se investisse o dobro na coleta e destinação correta do lixo, os gastos com saúde seriam bem maiores que isso.
A porcentagem de reciclagem dos diversos materiais no país varia conforme o material (valor e disponibilidade do material). O alumínio lidera com uma taxa de reaproveitamento de 98,7%, enquanto vidro (25,8%), plástico (24,5%) e lixo eletrônico (apenas 3%) ainda apresentam desafios. O Brasil é o quinto maior produtor mundial de lixo eletrônico, com 100 mil toneladas geradas anualmente, mas 85% dos brasileiros ainda guardam esse tipo de resíduo em casa, dificultando a destinação adequada. A reciclagem correta é de 6,4%.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) estabelece diretrizes para a gestão do lixo, mas sua implementação encontra desafios. Para evitar um colapso ambiental e social, especialistas defendem maior investimento em coleta seletiva, incentivo à reciclagem e educação ambiental. A compostagem do lixo orgânico, por exemplo, poderia reduzir em até 50% o volume de resíduos descartados e prolongar a vida útil dos aterros sanitários.
Assinale a opção que apresenta a concordância verbal adequada.