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A história da imunização é antiga. Começa em 1796, com uma história bem conhecida: o médico britânico Edward Jenner percebeu que vacas infectadas com a versão bovina da varíola tinham pústulas nas tetas que infectavam os fazendeiros com a doença. Mas era uma versão branda da varíola: a versão do vírus especialista em gado não pegava com força total em humanos. Causava apenas algumas feridas nas mãos e tinha um efeito colateral inesperado: gerar memória imunológica contra a varíola humana, que mata para valer. Nascia assim a primeira vacina – do latim vaccinus, “que vem da vaca”.
Ao longo do século XX, uma mistura de imunização, saneamento básico, tratamento de esgoto, antibióticos e outras benesses sanitárias — todas decorrentes de uma compreensão inédita do mundo microscópico — fez a expectativa de vida crescer no mesmo ritmo em que a mortalidade infantil caiu.
Ao avaliar o impacto da imunização na história humana, é importante considerar não só o número bruto de mortes como também um conceito mais amplo, o burden of disease – “fardo da doença”. Essa é uma métrica que considera anos de vida saudável e produtiva perdidos porque ficamos doentes. Um mundo assolado por doenças não é só um mundo com menos gente para ter boas ideias. É um mundo em que os adultos se preocupam mais em sobreviver do que em inovar.
Esse atraso também se aplica à esfera social. A pressão para ter filhos é muito maior quando boa parte deles não alcançará a maioridade, o que comprometeria os direitos das mulheres e sua entrada no mercado de trabalho. Se muitas famílias, hoje, têm 10 ou 15 tios-avôs, é porque os pais dessas ninhadas fizeram planejamento familiar com a mentalidade do mundo pré-vacina – mas os bebês sobreviveram graças ao avanço da medicina no século XX.
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O acento indicativo de crase em “Esse atraso também se aplica à esfera social” (linha 27) é