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A atenção farmacêutica é o componente da prática profissional de interação direta do farmacêutico com o paciente para atender suas necessidades relacionadas aos medicamentos. Essa área engloba um processo de assistência ao paciente lógico, sistemático e global, que envolve três etapas: análise da situação das necessidades do paciente em relação aos medicamentos, elaboração de um plano de seguimento, incluindo os objetivos do tratamento farmacológico e as intervenções apropriadas, e avaliação do seguimento para determinar os resultados reais no paciente.
Tradicionalmente, no Brasil, o farmacêutico não tem atuação destacada no acompanhamento da utilização de medicamentos, nem na prevenção e na promoção da saúde, e é pouco reconhecido como profissional de saúde tanto pela sociedade quanto pela equipe de saúde. De maneira geral, o principal serviço prestado nas farmácias e drogarias é a dispensação de medicamentos, e a qualidade dessa prática pode ser considerada inferior ao padrão, uma vez que os farmacêuticos, frequentemente, estão ausentes da farmácia ou drogaria. Em vista disto, o conceito de atenção farmacêutica sugere mudanças na atuação profissional predominante.
Nesse sentido, no início dos anos 2000, um grupo constituído por várias entidades, que gerou a proposta do Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica, foi formado com o objetivo de promover a atenção farmacêutica no País, considerando-se as características da prática profissional local. Como consequência, em 2002, foi proposto um conceito nacional para o tema, que considera a promoção da saúde e, dentro dela, a educação em saúde como componentes do conceito de atenção farmacêutica. Nesse Consenso, foram, também, definidos os componentes da prática farmacêutica necessários ao exercício da atenção farmacêutica, quais sejam, educação em saúde, orientação farmacêutica, dispensação, atendimento farmacêutico, acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico e registro sistemático das atividades, mensuração e avaliação dos resultados.
Esse processo de mudança com a implantação do novo conceito de atuação profissional tem sido avaliado em nações diversas, além do Brasil, como a Argentina, a Arábia Saudita e a Nova Zelândia, onde os estudiosos têm apontado dificuldades, isso porque a prática da atenção farmacêutica requer uma mudança estrutural das farmácias e drogarias e um rearranjo de funções, uma vez que, atualmente, a estrutura e as atividades são adequadas à atividade comercial.
Algumas das dificuldades observadas para sua implantação refletem a crise de identidade profissional e, em consequência, a falta de reconhecimento social e pouca inserção na equipe multiprofissional de saúde. Ademais, nesse meio, as farmácias públicas não têm inclusão no sistema de saúde. Por essa razão, a forma e o gênero de prestação de serviços de atenção nesses estabelecimentos são, inerentemente, limitados.
Deduz-se do texto que a prestação de serviços de atenção farmacêutica engloba mais do que dispensar medicamentos.