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Passado o impacto da pandemia do novo coronavírus e do confinamento social, espera-se que a razão volte. Prêmio Nobel de Economia de 2014 por suas contribuições sobre concorrência e concentração de poder de mercado, o francês Jean Tirole, da Escola de Economia de Toulouse, afirma estar assustado com a ascensão de políticos populistas e a rejeição à ciência e aos especialistas em geral. Segundo ele, a humanidade encontra-se diante de uma bifurcação: pode escolher o recrudescimento do nacionalismo e da xenofobia, mas também pode optar por dar valor à ciência e ao multilateralismo. Para o estudioso, as democracias contemporâneas falham ao se concentrar em políticas de curto prazo — como, no caso do Brasil, a liberação do FGTS, para promover o consumo, ou a redução da taxa básica de juros da economia, para baixar a inflação —, neste momento em que os maiores desafios são de longo prazo, como a mudança climática e as políticas de saúde. A maior preocupação atual é que a recessão causada pela pandemia possa arrefecer os esforços para lidar com esses temas mais amplos. A solução para reintroduzir o longo prazo nas democracias passaria por agências independentes e internacionais, funcionando como o Comitê de Supervisão Bancária de Basileia, com o fim de prestar informações amplas e claras às populações dos diversos países, que devem se apropriar do debate público. Precisamos de instituições multilaterais, como a OMS, mas essas vêm sofrendo golpes há anos, e a situação pode continuar se degradando. O problema é tal que se generalizou o cada um por si. Agora, estão falando em protecionismo e relocalização dos empregos, visando trazer as fábricas, que antes eram situadas em países longínquos e com produção mais barata, para perto de casa. Em parte, será necessário voltar a produzir localmente alguns bens essenciais em tempos de crise, como a proteção sanitária, mas não é o caso da maior parte dos bens. Tirole afirma que estamos, sim, em uma guerra, que não tem a ver com as guerras precedentes, ou mesmo com uma crise, como a de 1929. Em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, o sistema produtivo, a infraestrutura e as fábricas estavam destruídos. Hoje, se os assalariados forem resguardados nas empresas e se forem mantidas vivas as empresas por meio de subvenções, o sistema produtivo estará intacto. A economia poderá dar a partida novamente, ao menos em parte, assim que terminar o confinamento.
Uma das características do texto é o emprego de linguagem rebuscada e prolixa.