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Muitas pessoas entendem sustentabilidade apenas como um termo que designa os impactos das questões ambientais sobre os negócios, como, por exemplo, a diminuição das poluições e emissões de gases nocivos pelas empresas. Entretanto, deve-se pensar a sustentabilidade como um modo de vida, o que torna seu significado muito mais amplo e abrange outras questões, como a mudança de comportamento dos cidadãos e gestores nas cidades e novos planos de ação para uma melhor qualidade de vida da humanidade.
Na realidade atual, o conceito de sustentabilidade está cada vez mais presente nas conferências nacionais e internacionais em face dos diversos problemas enfrentados globalmente, como mudanças climáticas, poluições de grandes centros urbanos, desigualdade, pobreza, entre tantos outros, e a principal indagação centra-se em como a sustentabilidade urbana pode ser transformada em um elo de integração entre os diversos atores da sociedade para o alcance de um objetivo em comum: a melhoria das condições de vida e a preservação do meio ambiente.
O modelo de desenvolvimento sustentável tem como objetivo reverter os danos à natureza gerados pelos seres humanos ao longo dos anos e, a partir disso, conduzir a existência humana e dos demais seres vivos de uma maneira mais ecológica, que contraponha a lógica de maximização dos lucros e consumismo. Desse modo, o conceito de sustentabilidade remete diretamente à vida moderna e ao meio urbano, já que os problemas têm origem justamente na má administração dos recursos escassos presentes na natureza em face dos desejos ilimitados dos seres humanos.
Em sentido amplo, a cidade pode ser entendida como um ecossistema, uma unidade ambiental dentro da qual todos os elementos e processos do ambiente são inter-relacionados e interdependentes, de modo que uma mudança em um deles resultará em alterações em outros componentes. Um exemplo de uma pequena ação de impacto positivo no meio ambiente é a coleta seletiva de lixo, que, a partir da reutilização de recursos naturais, tanto orgânicos quanto recicláveis, contribui para a redução da quantidade de lixo acumulada e favorece a geração de novos empregos.
Um dos maiores entraves até o momento para a integração de todos os atores em torno de ações sustentáveis tem sido a falta de conscientização acerca da necessidade da participação de todos os segmentos da sociedade na resolução dos problemas complexos que afetam o meio urbano.
Segundo o professor em gestão urbana e habitacional da Universidade de São Paulo, Alex Kenya Abiko, a ciência tem um papel fundamental na conscientização das instituições políticas em relação aos problemas enfrentados nas cidades, seja elaborando diagnósticos precisos, seja gerando informações e propondo políticas eficientes, inclusivas e compatíveis com os recursos financeiros, tecnológicos e naturais existentes. No Brasil, entretanto, ainda segundo o especialista, a distância entre a academia e os gestores públicos é grande, o que não contribui para a adoção de novas tecnologias urbanas eficientes e de custo adequado.
Como se pode perceber, o caminho rumo a um modelo de desenvolvimento urbano sustentável não é único, mas resultado de múltiplas ideias inovadoras de vários atores agindo em conjunto para o alcance de objetivos comuns e sistêmicos e, para que isso ocorra, é necessária a participação da sociedade, com ações integradas entre governo, sociedade civil e empresas, a fim de transformar o mundo, com base em uma matriz de intercâmbio justa, com equidade acessível e saudável.
Internet: <https://sociedadeglobal.org.br> (com adaptações).
Na linha 11, o emprego do acento indicativo de crase em “à natureza” justifica-se pela regência do verbo “reverter” e pela anteposição de artigo definido ao substantivo “natureza”.