///
A gestão social diferencia-se, fundamentalmente, da gestão privada e da gestão pública. A gestão privada consiste no modo de gestão característico de organizações que atuam em um espaço denominado de mercado ou economia de mercado. A gestão pública, por sua vez, refere-se ao modo de gestão praticado nas instituições públicas de Estado e em suas demais instâncias. Na gestão social, em um contexto de solidariedade e sustentabilidade, a tomada de decisão coletiva ocorre por meio da democracia deliberativa, sem coerção, norteada pela ação racional e fundada na dialogicidade e intersubjetividade do processo, que visa à emancipação como fim último.
Aqui, reside uma grande inovação para a disciplina administrativa, pois se trata de compreender um ideal de gestão que não se orienta, em primeiro lugar, para uma finalidade econômica, o que contraria toda a tradição de desenvolvimento das técnicas gerenciais em administração. De fato, a expressão gestão social tem sido usada de forma corrente, nos últimos anos, para identificar as mais variadas práticas sociais de diferentes atores, não apenas governamentais, mas também de organizações não governamentais, associações, fundações, assim como algumas iniciativas do setor privado, que se exprimem nas noções de cidadania corporativa ou de responsabilidade social da empresa. Uma das dimensões de abordagem apresenta a gestão social como uma forma específica de gestão, um modus operandi, em um nível micro, que pode ser chamado de organizacional. Ela distingue-se ao propor um tipo diferente de racionalidade como guia de suas ideias e ações, superando a racionalidade tradicional instrumental, a lógica de mercado, por outras com enfoques mais sociais e emancipadores, tendo em vista a natureza e a finalidade da organização.
Na linha 1, as vírgulas que intercalam “fundamentalmente” podem ser suprimidas, sem prejuízo para a correção gramatical do texto.