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Imaginar que é necessário abrir mão da felicidade no trabalho e desejar apenas felicidade no trabalho são duas ilusões. O trabalho é uma circunstância da vida, a carreira é a maneira de fazê-lo, e a felicidade se apresenta e se ausenta em vários momentos. Não há felicidade sem esforço quando se pensa em carreira. Existe felicidade sem esforço quando a pessoa passa e, sem fazer nada, exceto virar o rosto, vê um pôr do sol no cerrado, daqueles magníficos, na reta do horizonte. No que se refere à carreira, a felicidade tem de ser um horizonte, mas não é um território no qual se ande o tempo todo. Há pessoas que dizem que só querem fazer o que lhes seja prazeroso. A isso se chama hedonismo, a procura do prazer contínuo. Para que alguém faça o que lhe dá prazer, ele terá de fazer muitas coisas de que não gosta. Por exemplo, há quem goste demais de dar aula, mas não de corrigir prova — aliás, são poucos os que gostam de fazê-lo. Há os que gostam de cozinhar, mas não de lavar toda a louça na sequência. Isso significa que, quando a pessoa se envolve em uma atividade, deve saber que há coisas de que não vai gostar, mas o que importa é a obra, isto é, o resultado. A carreira tem exatamente essa condição. A felicidade aparece como consequência, e não como processo.
Aristóteles dizia que o prazer do trabalho aperfeiçoa a alma e, realmente, é bom gostar daquilo que se faz. Pode-se entender emprego como meio, mas trabalho, jamais. Há uma distinção entre trabalho e emprego: trabalho é fonte de vida, emprego é fonte de renda. O trabalho é aquilo que se faz para que a vida tenha sentido. Um pedaço do trabalho é emprego, mas não todo ele. Há pessoas que não têm emprego e trabalham: fazem trabalho voluntário, cuidam da casa e de outras pessoas. É uma ocupação. O melhor, de fato, é quando o emprego coincide com o trabalho. Nessa hora, é evidente que o trabalho é fonte de vida e também meio de vida. Não se pode olhar o trabalho somente como situação para conseguir outras coisas. Ele também é resultante de uma obra, de algo que alegre, que anime, que faça o indivíduo crescer e se elevar.
O trecho “a felicidade se apresenta e se ausenta em vários momentos” (linhas 4 e 5) poderia, sem prejuízo da correção gramatical do texto, ser reescrito da seguinte forma: a felicidade apresenta-se e ausenta-se em vários momentos.