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No artigo “Traduzir e interpretar incursões no mundo do outro ou atos de fronteira? Reflexões teóricas sobre o papel do intérprete a partir de uma perspectiva culturalista” os autores apontam algumas formas das quais se revestem o primeiro estranhamento ao aprender a língua de sinais.
Sobre tal estranhamento, analise as formas abaixo:
I - Pode haver a perspectiva de que o sujeito surdo é aquele que precisa do TILS. A perspectiva clínica, da deficiência, do surdo como aquele sujeito de falta, prevalece nessa relação. A tradução e a interpretação seriam verdadeiros atos de caridade e os surdos estariam em eterna dependência dos intérpretes se quiserem se fazer entendidos pelos ouvintes.
II - Pode haver um estranhamento etnocêntrico. Os TILS estariam ali para salvar os surdos de eventuais gafes no mundo dos ouvintes. A colonização dos surdos por uma perspectiva do politicamente correto do mundo ouvinte coloca a cultura dos que ouvem como superior.
III - Pode haver um desdobramento do aprendizado da língua de sinais fazendo com que os TILS usem uma forma de português sinalizado que será aceito pela comunidade surda de forma irrestrita.
IV - Pode haver um deslumbramento com a língua e com o surdo, permeado de exotismo, como se a Língua de Sinais fosse algo de outro mundo e como se fosse fantástico que uma pessoa surda pudesse ser como qualquer um dos ouvintes. Afinal, para muitos a Libras é legal de aprender, está na crista da onda, ou melhor, na última moda.
São formas citadas pelos autores apenas: