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Um magnífico jatobá vivia a sua vida galhofeira¹ cercado de uma multidão de juncos farfalhantes, à beira de um riacho “riachante”. Orgulhoso de sua imensa copa, ele a abanava a todos os ventos de todas as partes e, de vez em quando, é natural, aproveitava para fazer uma sombra indevida aos juncos que lhe ficavam em volta². Os juncos, às vezes, querendo saber onde andava o sol para calcular em quanto tempo iriam se livrar do destino sombrio, perguntavam ao imenso jatobá: “Que horas são, amigo?”. “Eu não sou amigo e não digo horas pra juncos encharcados”, respondia invariavelmente o jatobá. Os juncos, “humolhados”³, voltavam ao seu farfalho humilde, enquanto o jatobá apregoava aos grandes companheiros das matas a glória de sua cabeleira centenária. A vida é assim. Mas lá chega o dia... Esse dia foi de noite. Um vendaval daqueles de derrubar até torres de arranha-céu, se arranha-céu já existisse. O jatobá, cuja imensa galhada oferecia uma resistência gigantesca⁴ às forças da natureza, veio ao chão, num estrondo assustador. O chefe dos juncos, vendo aquele desastre com o gigante, gritou sabiamente para o seu grupo: “Não resistam! Agachem-se!”⁵. Tombado, o jatobá foi arrastado pela corrente do riacho até uma serraria, onde imediatamente o transformaram em magníficas cadeiras de jacarandá, mas os juncos, que riam satisfeitos, dançando ao sol da manhã de abril, sem a cobertura do jatobá, foram logo descobertos por empalhadores que os arrancaram a todos e os utilizaram para empalhar cadeiras. Espicaçados pelo vírus da filosofia, os juncos não resistiram e perguntaram a uma cadeira: “Você sabe explicar por que a queda dos poderosos é mais terrível do que a dos mais fracos, mas, no fim, todo mundo cai?”. E a cadeira respondeu sem hesitar: “Eu não falo com junco!”. MORAL: Orgulho não adianta; sempre se acaba com a bunda de alguém em cima. ¹ Cheia de galhos e gozadora. ² Afinal, de que vale nossa alegria sem a infelicidade alheia? ³ Quer dizer amargurados dentro d’água. ⁴ Quinta lei de dinâmica da prepotência. ⁵ Segundo parágrafo do artigo primeiro da lei da sobrevivência política.
Quanto às características das personagens dessa fábula, é incorreto afirmar que: