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Linguagem e Comunicação. A linguagem é de tal forma parte integrante de nossas atividades diárias que muitos podem considerá-la um fato mais ou menos natural e automático, como respirar ou piscar. Evidentemente, se nos detivermos a pensar no assunto, verificaremos que nada há de automático em relação à linguagem. (…) É difícil apreender completamente a importância do papel desempenhado pela fala em nosso comportamento social. Como seria uma sociedade sem linguagem? Evidentemente, não haveria escrita nem outras formas de comunicação pela palavra, pois todas dependem, em última instância, da linguagem falada. Nossos recursos para aprender seriam, em consequência, muito mais restritos. Seríamos obrigados, como os animais, a aprender fazendo e observando as ações dos outros. Toda a história desapareceria (…). Não teríamos meios de expressar nossos pensamentos e ideias a outros, ou de participar dos processos mentais de nossos semelhantes. Uma sociedade sem linguagem não poderia empreender a não ser as mais simples atividades cooperativas (…), não teria meios de assegurar a continuidade do comportamento e da aprendizagem necessária à criação da cultura. A sociedade humana, sem cultura, estaria reduzida ao nível das atuais sociedades de macacos. Os símios têm uma estrutura física bastante semelhante à nossa. Como os humanos, aprendem rapidamente pela experiência e pela observação e imitação das ações dos outros. Numerosos estudos revelaram que os macacos não só aprendem a utilizar ferramentas como também inventam-nas. A despeito, porém, do fato de que os macacos individualmente aprendem com facilidade e que, como indivíduos, apresentam notáveis resultados na aquisição de conhecimentos, os macacos como espécie jamais desenvolveram uma cultura. (…) Quando um macaco resolve um problema, o conhecimento adquirido nessa experiência permanece estático. Pode lembrar-se dele se e quando aparecer problema do mesmo tipo, mas (…) não medita sobre esse conhecimento arquitetando meios de aplica-lo a outros problemas. O homem, sim. Suas experiências diretas com problemas práticos são, como as do macaco, separadas e distintas. Mas como possui linguagem, pode prosseguir na busca de soluções de problemas, além da experiência física direta, desenvolvendo desta maneira, em pensamento e discussão, novas aplicações para o conhecimento adquirido e para as formas aprimoradas de resolver problemas. Em resumo, devido à linguagem, as experiências do homem são contínuas, e não descontínuas como os macacos, revelando assim um desenvolvimento muitíssimo mais rápido. (…) A cultura entre os homens revela progresso. Cada geração herda, pela palavra falada e por tradição, o conhecimento acumulado de seus antecessores, acrescenta suas próprias contribuições oriundas de experiências e observações, passando o conhecimento global às gerações seguintes. Este aspecto cumulativo, que distingue as culturas humanas do tipo de conhecimento existentes nas sociedades animais, é possível devido à linguagem. (HOIJER, Harry. In: Harry L. Shapiro. Homem, cultura e sociedade. São Paulo, Martins Fontes, 1982. p. 289.)
A linguagem é essencial para a humanidade, pois através dela é possível perceber: