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"Nações são imaginadas, mas não é fácil imaginar. Não se imagina no vazio e com base em nada. Os símbolos são eficientes quando se afirmam no interior de uma lógica comunitária afetiva de sentidos e quando fazem da língua e da história dados 'naturais e essenciais'; pouco passíveis de dúvida e de questionamento. O uso do 'nós', presente nos hinos nacionais, nos dísticos e nas falas oficiais, faz com que o sentimento de pertença se sobreponha a ideia de individualidade e apague o que existe de 'eles' e de diferença em qualquer sociedade. Só assim se entende, por exemplo, o nosso famoso Hino da proclamação da República, o qual, paradoxalmente, não é nosso Hino nacional. Escrito em 1889, um ano após a abolição da escravidão, ele conclamava os brasileiros a cantar coletivamente: 'Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país...'. A escravidão fora abolida havia apenas um ano, mas já virava matéria do passado, assim como a nacionalidade, recém-descoberta, era vista como um grande coletivo devidamente naturalizado".
SCHWARCZ, Lilia Moritz. "Imaginar é difícil (porém necessário)" In: ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p.16.
De acordo com os estudos contemporâneos sobre a história e a formação dos nacionalismos e a construção dos Estados nacionais no Ocidente, não podemos destacar entre suas características: