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LAIKA, A CADELA COSMONAUTA (03 de novembro de 1957).
Depois do sucesso conseguido com o Sputnik I, o líder soviético Khrutchev quis que fosse lançado um novo satélite artificial como parte das celebrações do 40° aniversário da Revolução Bolchevique. Os encarregados da agência espacial já estavam construindo um satélite mais sofisticado, mas não poderia estar pronto para aquela data.
Devido ao pouco tempo de que dispunham, decidiram construir um novo artefato – o Sputnik II -, que levaria um ser vivo em seu interior. Os engenheiros conseguiram equipar o satélite com instrumentos para medir a radiação solar e os raios cósmicos e um sistema para a geração de oxigênio, juntamente com outro para absorver o dióxido de carbono. Além disso, foi acrescentado um ventilador que se ativava quando a temperatura interna superava os 15°C.
Esses experimentos espaciais se enquadravam em um estudo médico-biológico de dupla direção. Por um lado, pretendiam preparar os voos para que, em um futuro próximo, pudessem ser tripulados por seres humanos; e, por outro, queriam pesquisar a repercussão da radiação cósmica nas mutações genéticas, pesquisar os raios cósmicos e a radiação solar e analisar a temperatura e a pressão.
Laika era uma cadela vira-lata de Moscou, que pesava uns 6 quilos e tinha 3 anos de idade quando foi capturada para o programa espacial soviético. Originalmente, foi chamada de Kudriavka (“Risadinha”), depois Jutchka (“Bichinha”), e então Limontchik (“Limãozinha”), para por fim ganhar o nome de Laika, o nome genérico pelo qual os russos denominam diversas raças de cães esquimós. Antes do lançamento, a cadela havia sido treinada para suportar as difíceis condições às quais seria submetida.
Para que o animal não morresse de fome, carregaram comida o suficiente para sete dias, e criaram um traje espacial sob medida. Uma bolsa acoplada ao traje armazenava os seus dejetos e os seus movimentos foram limitados por meio de uma armadura, que lhe permitia ter acesso à comida e à água dentro da cabine pressurizada com paredes acolchoadas na qual viajaria, o que se traduzia em que só poderia se sentar, ficar de pé ou deitar. Diversos eletrodos conectados ao seu corpo permitiram que os cientistas medissem os seus sinais vitais, pelo que puderam constatar que não teve nenhum problema na subida e na entrada em órbita.
Parece que, uma vez que o Sputnik deixou a órbita terrestre, Laika latiu e usou os dispensadores a bordo para se alimentar e tomar água, e os responsáveis pelo programa espacial garantiram que Laika não mostrou sinais de sofrimento pelo lançamento ou pela falta de gravidade durante a viagem. No entanto, não havia sido desenvolvido um método para trazê-la de volta à Terra sã e salva. Cerca de cinco horas depois do lançamento, Laika morreu, devido, provavelmente, ao estresse e ao superaquecimento. Alguns cinco meses mais tarde, o Sputnik 2 retornou à Terra e Laika ficou imortalizada na história dos voos espaciais.
Por mais que tenham transcorrido várias décadas até que se conhecesse essa história em detalhe, graças ao sacrifício da cadela Laika se pôde comprovar que um organismo vivo tinha a capacidade de sobreviver em condições de microgravidade, o que deu lugar a todo um campo de pesquisa para que os seres humanos participassem de futuras missões espaciais.
O cosmonauta russo Iuri Gagarin teve que esperar 35 anos depois da viagem de Laika para realizar o sonho do ser humano de viajar ao espaço.
(365 Dias que Mudaram o Mundo. The History. São Paulo: Planeta, 2013, p. 636).
De acordo com o autor do texto, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta: I – Para que Laika não morresse de fome, carregaram comida o suficiente para sete dias.
II – Além de água e comida, Laika também pôde levar alguns brinquedos para se distrair.
III – Atualmente, Laika é o nome de um município próximo à cidade de Kiev, na Ucrânia.