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“A primeira porta dava para uma vasta cozinha à moda antiga, com uma grande estufa e uma imensa lareira de onde pendia ainda uma caldeira de cobre. Tudo mobiliário de outros tempos, talvez herdado pelo tio-avô de meu avô. Agora era antiquário. Através dos vidros transparentes da cristaleira, eu via pratos com flores, bules, taças de café com leite. Busquei instintivamente um porta-jornais e, portanto, sabia que devia estar por ali. E estava pendurado num canto perto da janela, de madeira com pirogravuras de grandes papoulas chamejantes sobre um fundo amarelo. Se durante a guerra faltava carvão e lenha, a cozinha devia ser o único lugar aquecido e sabe-se lá quantas noites passei naquele aposento”. (Umberto Eco in A Misteriosa Chama da Rainha Loana, São Paulo: Record, 2005, p. 97).
Analisando o texto, pode-se concluir que: