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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma doença psíquica que têm como principais manifestações a hiperatividade, desatenção, dificuldade de concentração por longos períodos e dificuldade de manter a vigília. De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder - DSM-IV, o transtorno é categorizado em três grupos distintos: TDAH tipo combinado, TDAH tipo predominantemente desatento e TDAH tipo predominantemente hiperativo. O diagnóstico é de difícil identificação e só é possível quando o indivíduo inicia o período escolar e apresenta os sintomas em pelo menos 2 ambientes distintos.
Atuação do Psicólogo no Tratamento do TDAH - o tratamento do TDAH requer uma abordagem multidisciplinar (Academia Americana de Pediatria, 2001) de forma que vários profissionais da saúde, médicos, neurologistas, psicólogos e psiquiatras possam orientar os pais ou responsáveis pela criança com o diagnóstico do transtorno. Geralmente, o TDAH é percebido por um médico pediatra que irá encaminhar o paciente para um Psicólogo e se necessário, para um Psiquiatra. Segundo Faraone, Sergeant, Gilbert & Bierderman (2003), o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é uma das principais causas de procura por atendimento em ambulatórios de saúde mental da criança e adolescentes, apesar de que algumas pesquisas apontam que o número de investigações com pré escolares, adolescentes e adultos é significativamente menor (Rohde e Mattos, 2003). Segundo Knapp, Rohde, Lyszkowski & Johannpeter (2002), estima se que 3 a 6 % de crianças e adolescentes apresentam o transtorno. A intenção deste capítulo será mostrar como se dá o tratamento terapêutico e como a família irá ajudar na melhora da criança que é diagnosticada com TDAH. (DOYLE, 2006) Os tratamentos comprovadamente eficazes para o manejo do TDAH, além da farmacoterapia, incluem a orientação dos pais em manejo de contingências, onde se faz necessário a combinação e aplicação destas também em salas de aula, para que seja obtido o resultado esperado (Barkley, 1988). Dessa forma, a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) será descrita como intervenção no TDAH por apresentar bons índices de sucesso terapêutico. Não obstante, mesmo quando o transtorno é tratado com medicação, muitos indivíduos continuam a apresentar alguns sintomas residuais e estes podem ser amenizados com a TCC, tais como depressão e ansiedade. (SEGENREICH & MATTOS, 2004).
Analise as proposições com V(Verdadeiro) ou F(Falso). Após análise, marque a série correta.
1 - As intervenções cognitivo-comportamentais no TDAH têm sido usadas clinicamente há bastante tempo (Knapp, Rohde, Lyszkowski & Johannpeter, 2002). A TCC é apontada como modalidade psicoterápica com maior evidencia científica de eficácia para os sintomas nucleares. Segundo Doyle (2006), a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) consiste em quatro etapas: a psicoeducação, a psicoterapia em si, a avaliação das comorbidades e as intervenções no ambiente.
2 - Na Psicoeducação, o cliente irá receber informações sobre o TDAH, permitir que o indivíduo reconheça os sintomas e interprete os danos que estes sintomas causam, desta forma, poderão obter novas maneiras ou estratégias para o manejo destes. (Barkley, 2002; Doley, 2006; Knapp, Rohde, Lyszkowski e Johannepeter, 2002). Na etapa 2, ou seja, na Psicoterapia é de extrema importância identificar as crenças dos paciente, pois podem estar relacionadas ao desconhecimento da doença de forma que o mesmo acredite ser incapaz de realizar qualquer tipo de tarefa e se julgue inútil. (DOLEY, 2006; RATEI, 1999; ROHDE E MATTOS, 2003).
3 - A psicoterapia também é muito indicada quando há presença de comorbidades associadas ao TDAH, embora todos os casos de TDAH requererem orientações. (KLEIN & ABIKOFF, 1997). Já a etapa seguinte consiste na avaliação das comorbidades, ou seja, identificar outros transtornos que estão associados ao TDAH, tais como: Transtorno de Depressão, Transtorno Desafiador Opositivo e Transtorno de Conduta, embora o Transtorno da Ansiedade seja mais comum. (KLEIN & ABIKOFF, 1997). Por fim, as Intervenções no Ambiente que são realizadas no início do tratamento ajudam o paciente a encontrar um equilíbrio entre estrutura e liberdade (DOYLE, 2006). Nesta etapa, o psicólogo mostra à criança que ela pode realizar as tarefas que lhe são impostas e que é possível conviver melhor com os outros de sua idade. Deste modo, o terapeuta irá orientar a criança a usar lembretes, bilhetes, quadros de avisos, cronogramas, procurar lugares silenciosos para estudar e sempre que necessário, realizar intervalos entre uma tarefa e outra. (HALLOUWELL & RATEY, 1999; ROHDE& MATTOS, 2003)
4 - Para o sucesso do tratamento, a ajuda dos pais é de extrema importância para que as instruções dadas ao cliente sejam seguidas, uma vez que os aspectos sociais e emocionais dos pais, assim como os métodos utilizados por eles na educação de seu filho, influenciam nas atitudes e comportamentos apresentados pela criança e possibilitam a sua compreensão do comportamento diferenciado da criança portadora do TDAH em relação às outras crianças. (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS, 2003)
5 - Segundo Jones (2004), a família é o melhor contexto que possa compreender e auxiliar em qualquer dificuldade vivenciada por um de seus membros. As exigências de uma criança com TDAH podem provocar conflitos na família como divórcios, brigas entre os familiares a respeito da educação da criança, entre outros. Sobre esta perspectiva, diz-se que a comunicação é o elemento chave que une os indivíduos, o comportamento verbal ou não, individual ou em grupo, tem valor de comunicação de alto nível, de forma que se pode entender em um sentido ambíguo de significados e sentidos. O psicólogo ao abordar a família da criança com o Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade irá disseminar as dúvidas dos responsáveis, de forma que fique claro que o diálogo com a criança deve ser objetivo, franco e direto. (WATZLAWUICK, HELMIK & JACKSON, 1967)