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AO SOL O QUE LHE CABE
Caros U. e S. :
A reportagem que vocês publicaram começou assim: "São 7h da manhã. O calor do sol faz subir uma névoa na superfície do Lago Paranoá".
Quando li, me perguntei: o que, além do calor do sol, poderia ter esquentado as águas do lago e provocado a névoa? Um gigantesco aquecedor? Não, ainda não foi inventado um capaz de aquecer o lago que banha um pedaço de Brasília. De resto, um aquecedor assim se alimentaria de energia solar. Nem pensar em energia elétrica.
Imaginei também, mas logo descartei como absurdo, que a névoa poderia ter resultado da erupção de algum vulcão adormecido no fundo do lago. Não há notícia de que exista um. Se existisse e tivesse acordado, saberíamos.
Ainda me passou pela cabeça a hipótese de a névoa ter derivado de calor humano. Mas seria impossível que todos os habitantes do Distrito Federal e das redondezas, de mãos dadas, pudessem abraçar o lago durante algumas horas antes do amanhecer e aquecê-lo a ponto de produzir névoa. Concluí que só o calor do sol poderia, de fato, ser responsável pela névoa. Tal como vocês escreveram.
Então era dispensável que atribuíssem ao sol o que somente a ele caberia produzir. Bastava terem escrito: "São 7h da manhã. O calor faz subir uma névoa na superfície do Lago Paranoá". Imputar a névoa ao calor do sol foi redundante.
Fujam das redundâncias. Elas são supérfluas. Têm de ser cortadas.
O autor tentou encontrar outras explicações para o calor que deu origem à névoa do Lago Paranoá
I – porque pressupôs, da construção gramatical, ser indiscutível a existência delas.
II – porque considerou um absurdo jornalistas não atentarem para a redundância no texto que escreveram.
III – porque a redundância deveria ser um erro primário para jornalistas, assim, ela não poderia ter ocorrido.
IV – porque queria ironizar o erro em que incorreu os jornalistas ao terem escrito a matéria.
V – porque julgou a redundância na frase como uma brincadeira dos jornalistas.
Estão corretas: