///
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
A poesia é reconhecida, dentre outras características, pelo trato com a linguagem, pela forma com que articula as sentenças de modo a criar sentidos diversos de acordo com seus leitores. Tendo em vista a poesia de Carlos Drummond de Andrade, um expoente no cenário brasileiro, assinale o que não se depreende do texto apresentado: