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O Educador e seu Mundo de Contradições Anne Marie Lucille Uma Verdade Existe sem Depender de Opiniões "Se competir é o único caminho que nos conduz à felicidade, então, viver em paz será impossível..." É estranho o hábito, algumas vezes até inconsciente, da busca pelo mérito em tudo que nos prestamos a fazer. E desde que a busca pelo mérito se tornou o objetivo existencial de uma expressiva maioria, o medo do fracasso tende a se apresentar como uma sombra assediadora que assusta a todos. E algo que é feito exclusivamente por obrigação, será isso capaz de nos proporcionar alguma alegria ou contentamento? Obrigação não é a mesma coisa que fazer à força? Se não desejamos realizar uma tarefa, seu cumprimento só será possível contra nossa vontade, por força de algum tipo de ameaça, repressão ou despotismo. Quando, de bom grado, não aceitamos uma imposição ou ordem, a obediência só ocorrerá sob uma condição: o jugo do mais forte sobre o mais fraco. Manda quem pode, obedece quem tem algo a perder, essa é a regra. Quando vão à escola, a princípio, na maioria das vezes, os alunos não o farão de forma espontânea. Para isso existem os meios que são usados para convencê-los da necessidade daquele compromisso. E aquele processo de frequentar a sala de aula todos os dias, mesmo para aqueles que gostam da vida acadêmica, não ocorre sem um motivo ou promessa de alguma compensação ou prêmio ao final do período letivo, ou de instrução. A recompensa ao final dos estudos é o agente motivador, a autoridade maior que os obriga a frequentar durante anos aquela instituição, cumprindo com rigor os horários e metas estabelecidas. Trata-se de um dever que todos, por uma determinação social, são solicitados a cumprir. Não pode haver dissidências ou serão considerados cidadãos “não qualificados”, ou de terceira classe. Para aquele que idealiza uma vida regular, politicamente correta, aquilo representa a garantia de que mais à frente irá conseguir estabilidade financeira, sucesso profissional e aparente realização pessoal. Isso é tudo. E embora todos desejem a bonificação ao final do longo período de engajamento, na maioria das vezes, o comparecimento não é voluntário. E isso constitui um dos maiores e mais problemáticos paradoxos na vida dos educadores. Afinal de contas, eles estão diante de um exército de alunos, que, em sua maioria, não frequenta a sala de aula por livre iniciativa e espontaneidade, e o pior de tudo, o mesmo ocorre que um expressivo número de educadores. Então como lidar com isso? Qual o papel do educador e do discente? Do educador seria qualificar o aluno de acordo com as diretrizes educacionais vigentes, cuja intenção é uma qualificação mínima como capacitação ao mercado de trabalho. Durante essa jornada, ocasionalmente, algumas normas de convívio social, ética e comportamento, ainda que de forma minguada, são lembradas, embora não façam parte do programa curricular regular. Quem já viu avaliação final para medir a ética de cada um, ou o tamanho do bom senso, ou ainda comportamento? Então o que podemos deduzir?
O texto é direcionado a um público específico. Por isso são apresentadas situações que são comuns no dia a dia desse público. Quais são essas situações?